A merda passou a vida inteira reprimida, calada e acuada. Apesar de convivermos quase que diariamente com ela do ponto de vista fisiológico, (claro que se você té dos que tomam Activia isso deve ocorrer com menor frequência) em algum lugar inventou-se que, como idéia e força de expressão, ela era vulgar, bruta, quase uma Geni. Só que dia desses o gênio Molusco Mor, num discurso no Nordeste, afirmou sem hesitar que ia "tirar o povo da merda" e assim, a tão excluída palavra saiu dos calabouços do linguajar popular para as manchetes de todos os diários. Agora ela, que era maquiada por ícones como #, %, *, & e !, está livre, leve e solta, assim como o Arruda, um governador de merda.
Lembrando disso me veio essa enunciação que algum gênio desconhecido proporcionou à Humanidade, e que eu escutei em algum lugar em mp3 e depois achei escrita em algum site por aí. Bom fim de semana, seu desocupado!
A palavra MERDA pode mesmo ser considerada um coringa da língua
portuguesa.
Exemplos:
Como indicação geográfica 1 :
Onde fica essa merda?
Como indicação geográfica 2 :
Vá a merda!
Como indicação geográfica 3 :
18:00h : vou embora dessa merda..
Como substantivo qualificativo:
Você é um merda!
Como auxiliar quantitativo:
Trabalho pra caramba e não ganho merda nenhuma!
Como indicador de especialização profissional :
Ele só faz merda.
Como indicativo de MBA :
Ele faz MUITA merda.
Como sinônimo de covarde:
Seu MERDA !
Como questionamento dirigido:
Fez merda, né ?
Como indicador visual:
Não se enxerga merda nenhuma!
Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:
Porque você não vai a merda?
Como especulação de conhecimento e surpresa:
Que merda é essa?
Como constatação da situação financeira de um indivíduo:
Ele está na merda...
Como indicador de ressentimento natalino:
Não ganhei merda nenhuma de presente!
Como indicador de admiração:
Puta Merda !!
Como indicador de rejeição :
Puta Merda !!!!
Como indicador de espécie :
O que esse merda pensa que é ??
Como indicador de continuidade :
Na mesma merda de sempre.
Como indicador de desordem:
Tá tudo uma merda!
Como constatação científica dos resultados da alquimia :
Tudo o que ele toca vira merda!
Como resultado aplicativo :
Deu merda.
Como indicador de performance esportiva :
O Flamengo, o Grêmio, o Palmeiras, o Fluminense, o Corinthians e o Vasco, não estão jogando merda nenhuma!!!
Como constatação negativa :
Que merda !!!!
Como classificação literária:
Êta textinho de merda
\\\ --- /// --- \\\ --- /// --- \\\ ---///
O autor é desconhecido...eu não escrevi essa merda não... hehe
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Uma experência
Leia esse post à noite. Concentre-se .
Bocejo.
Preguiça.
Preguiça.
Bocejo.
Aaaaai, que sono.
Bocejo.
Preguiça.
Leseira.
Bocejo.
Bocejo.
Bocejo.
Preguiça.
Bocejo.
Bocejo.
> E aí, deu uma bocejadinha, pelo menos?
O D2 vai buscando a tal batida perfeita enquanto continuo na minha eterna busca pela fábrica interna de bocejos.
Bocejo.
Preguiça.
Preguiça.
Bocejo.
Aaaaai, que sono.
Bocejo.
Preguiça.
Leseira.
Bocejo.
Bocejo.
Bocejo.
Preguiça.
Bocejo.
Bocejo.
> E aí, deu uma bocejadinha, pelo menos?
O D2 vai buscando a tal batida perfeita enquanto continuo na minha eterna busca pela fábrica interna de bocejos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sobre honestidade e AC/DC

Soaram os primeiros acordes ali naquele Morumbi. Meu, se você não tava lá eu sinto muito, foi algo tão ducaralho, mas tão ducaralho que eu vou passar os próximos anos falando que nunca ninguém foi tão honesto comigo quanto o Angus Young e sua turma naquele 27 de novembro.
Honesto é palavra, porque honesta foi a oferta de serviço deles. Sejamos bestamente didáticos: ofereceram-se para tocar seus maiores hits, colecionados em quase 40 anos de estrada, que não são poucos e muito menos ruins. Colocaram seu preço (tenha certeza que a nossa carteirinha de estudante 171 praticamente faz dobrar o preço dos tickets no Brasil) e quem achou que tal soma (de 75 a 250 reais, com carteirinha 171, claro) valeria a pena, simplesmente pagou pra ver.
70 mil consumidores (fã é muito emocional para um texto tão pragmático) desembolsaram seus cobres por aqueles papeizinhos que dariam acesso aos setores. Interessante o ato de comprar ingresso para um show, porque é um produto de consumo invisível, não intrínseco, diferente de um tênis, por exemplo, que você vai ali, esolhe e leva. Um show é mais ou menos como num restaurante, você pede o prato e depois espera pra ver o que vai vir. Claro que usamos referências e gostos pra pedir o tal prato, assim como geralmente não vamos a show de algum artista completamente desconhecido, no escuro. Claro que alguns gostam de experiências excêntricas e de experimentar coisas novas, sejam sons ou sabores.
Qualquer pessoa que esteja pagando tem noção (ou deveria) do quanto custou o dinheiro (em suor) e do quanto está custando o serviço ou produto oferecido. Tem coisa que realmente não compensa, que não entrega. Bancar o jeans mais caro e ele rasgar, esgarçar ou ficar inutilizável depois de pouco tempo. Ou comprar um carro que enguiça logo nos primeiros quilômetros. Você pagou por um produto que não retribui o investimento. Frustração misturada com sentimento de enganação, tipo corno.
Mas te digo que poucas vezes me senti tão bem tratado pelo produto/serviço pelo qual paguei. AC/DC é um show de honestidade do começo ao fim. Telão nítido como eu nunca vi, palco imenso como eu nunca vi (do U2 era maior?) e entretenimento estupidamente bem feito. Parecia criança pirando com as milhares de tiaras de chifrinho piscando pelo estádio, com os rojões que estouravam ritmados com o beat. E a qualidade do som? Só aí já valeu o ingresso. Ver seu irmão caçula entrar num estádio pela primeira vez e ter um presente de aniversário que ele nunca mais vai esquecer é sem preço. (Olhou pra pista, arregalou os olhos e perguntou, incrédulo: "isso tudo é gente?") Não tem jeito, para proporcionar uma satisfação desse naipe, só com muita honestidade.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A risada mais gostosa do mundo
Ela ri e não é para não chorar. Brinda o mundo com espasmos tão espontâneos que contagia até os mais céticos. Pode estar feliz, como sempre a vejo. Ou chorando, como poucas vezes presenciei. Sabe quando os olhos de alguém fazem festa ao te ver? Ou ao te contar uma história em que se envolveu, de corpo e alma, pra variar. Pode ser irritante alguém que consegue rir de coração, com o coração, sem esforço. Não se trata de bobismo, alguém que só sabe sorrir. Eis a diferença entre o riso e o sorriso, o sorriso pode até ficar ali, estampado, tal qual um rabisco numa carteira. O riso é efêmero, um sopro. Você sente quando é de verdade. Gargalhada transparente; contagiosa como um bocejo num final de tarde num transporte coletivo. Verdadeira aula para quem sorri e não mostra os dentes; pra quem está ali mas não está.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Gênios deveriam ter imunidade
Os caras que tiraram 20 milhões de reais daquela transportadora na Lapa, no domingo passado, seriam absolvidos no meu reino. Sim, qualquer pessoa com bom senso, senso de humor e vivendo num mundo cretino desses sabe que conseguir arquitetar um plano desses nos dias de hoje sem ninguém vazar nada durante meses é tarefa para poucos.
Em tempos de comunicação veloz, de tudo agora pra ontem, de privacidade beirando os índices de crescimento dos países europeus em 2009, eu acharia completamente plausível a notícia de que um bando foi preso enquanto cavava um túnel. Normalmente é assim que funciona. Os empresários de transportadoras, seguradoras e banqueiros financiam uma espécie de "fundo de incentivo" para que policiais supostamente evitem esses desaparecimentos súbitos. Ainda bem que nem sempre é assim.
Quando a super rede de meganhas falha, a coisa fica mais divertida para nós, simples espectadores. Quem é que não imaginou as cenas cinematográficas que aconteceram no último domingo, enquanto o país inteiro, inclusive os porteiros da firma (óbvio) torcia inquieto por seu time preferido. É quase como o roubo do "Onze Homens e um Segredo", que acontece durante uma grande luta de boxe em Las Vegas. Haja espirituosidade!
Mas a batata dos “tatus cover” começou a assar porque a turma da bufunfa tomou um preju e duplicou a recompensa pros tiras (já reparou que ninguém, além da Rede Globo chama puliça de ‘tira’?), que dali dois dias já tinham achado a turma que ficou com o troco. Mas a chefia, nada, ainda bem.
Queria aproveitar a humilde abrangência global deste blog para deixar um salve para os artistas engenhosos que fizeram a fantástica instalação da Lapa:
Caro amigo, você que rapou a bolada, boa sorte. Quem sabe não sobra um troco pelas dicas que eu quero te dar. Cara, a primeira: Run, Forest, run! Some daqui, não fica pelo Capão nem pela Brasilândia, descubra uma cidade e a batize com um nome novo, crie um ponto novo no mapa. De preferência fuja do Google, porque se vacilar só um pouquinho ele já te acha.
Troque o dinheiro aos poucos, enterre o resto num lugar em que você jamais pensaria, porque os banqueiros vão pensar. Se tiver um esquema de jatinho agilizado, parta sem hesitar rumo ao estrangeiro tipo Paraguai ou Bolívia, se é que podemos chamar isso de exterior. Consulte o melhor plástico que o mercado negro puder providenciar, mas cuidado: não peça indicação ao Abadia!
Em tempos de comunicação veloz, de tudo agora pra ontem, de privacidade beirando os índices de crescimento dos países europeus em 2009, eu acharia completamente plausível a notícia de que um bando foi preso enquanto cavava um túnel. Normalmente é assim que funciona. Os empresários de transportadoras, seguradoras e banqueiros financiam uma espécie de "fundo de incentivo" para que policiais supostamente evitem esses desaparecimentos súbitos. Ainda bem que nem sempre é assim.
Quando a super rede de meganhas falha, a coisa fica mais divertida para nós, simples espectadores. Quem é que não imaginou as cenas cinematográficas que aconteceram no último domingo, enquanto o país inteiro, inclusive os porteiros da firma (óbvio) torcia inquieto por seu time preferido. É quase como o roubo do "Onze Homens e um Segredo", que acontece durante uma grande luta de boxe em Las Vegas. Haja espirituosidade!
Mas a batata dos “tatus cover” começou a assar porque a turma da bufunfa tomou um preju e duplicou a recompensa pros tiras (já reparou que ninguém, além da Rede Globo chama puliça de ‘tira’?), que dali dois dias já tinham achado a turma que ficou com o troco. Mas a chefia, nada, ainda bem.
Queria aproveitar a humilde abrangência global deste blog para deixar um salve para os artistas engenhosos que fizeram a fantástica instalação da Lapa:
Caro amigo, você que rapou a bolada, boa sorte. Quem sabe não sobra um troco pelas dicas que eu quero te dar. Cara, a primeira: Run, Forest, run! Some daqui, não fica pelo Capão nem pela Brasilândia, descubra uma cidade e a batize com um nome novo, crie um ponto novo no mapa. De preferência fuja do Google, porque se vacilar só um pouquinho ele já te acha.
Troque o dinheiro aos poucos, enterre o resto num lugar em que você jamais pensaria, porque os banqueiros vão pensar. Se tiver um esquema de jatinho agilizado, parta sem hesitar rumo ao estrangeiro tipo Paraguai ou Bolívia, se é que podemos chamar isso de exterior. Consulte o melhor plástico que o mercado negro puder providenciar, mas cuidado: não peça indicação ao Abadia!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Espanta mesmo mau olhado?
Sabe aquele sobrenome seu que quase ninguém conhece? Aquele que sempre pareceu fazer só massa na linha do RG, mas que no fundo você gosta? Ou não. Às vezes é aquilo que você pretende esconder. Se você tinha avós que seus pais decidiram homenagear, certeza que você tem vergonha. Por exemplo: Renata Carolina. Você pode passar anos chamando sua amiga de Rê, Rezinha, Renes (como eu chamei) e nem sequer imaginar que ela esconde um "Carol" no meio daquilo.
A nomenclatura invisível pode ser também do tipo que não encoberta pela força daqueles nomes que ficam no meio, como Ayrton Senna da Silva ou Ascelino Popó Freitas. Mas a gente é tudo normal demais, voltemos pro chão. Ou simplesmente a ocultação sintética do sobrenome, quando um apelido deleta automaticamente o nome real e os eventuais sobrenomes escondidos. Assim sagraram-se Xuxa, Lula e Pelé, sendo este último uma entidade quase esquisofrênica, entre o Edson e o Pelé, entre o Arantes e o Nascimento.
E tem aquele sobrenome que você pode ter um carinho e orgulho imensos, mas que num determinado contexto pode queimar filme. A tradição, as histórias, as glórias familiares não ficam ao alcance da simples pronúncia quando alguém vai parar na mídia negativamente carregando o mesmo sobrenome que você.
E você deve ter chegado até essa linha pensando "pra que isso tudo?" Talvez seja só pra desabafar que em 15 dias Geisy e José Roberto me fizeram ter vergonha do meu sobrenome mais anônimo, mas não menos querido. E provaram que não tira mau olhado coisíssima nenhuma. Pelo contrário, até.
A nomenclatura invisível pode ser também do tipo que não encoberta pela força daqueles nomes que ficam no meio, como Ayrton Senna da Silva ou Ascelino Popó Freitas. Mas a gente é tudo normal demais, voltemos pro chão. Ou simplesmente a ocultação sintética do sobrenome, quando um apelido deleta automaticamente o nome real e os eventuais sobrenomes escondidos. Assim sagraram-se Xuxa, Lula e Pelé, sendo este último uma entidade quase esquisofrênica, entre o Edson e o Pelé, entre o Arantes e o Nascimento.
E tem aquele sobrenome que você pode ter um carinho e orgulho imensos, mas que num determinado contexto pode queimar filme. A tradição, as histórias, as glórias familiares não ficam ao alcance da simples pronúncia quando alguém vai parar na mídia negativamente carregando o mesmo sobrenome que você.
E você deve ter chegado até essa linha pensando "pra que isso tudo?" Talvez seja só pra desabafar que em 15 dias Geisy e José Roberto me fizeram ter vergonha do meu sobrenome mais anônimo, mas não menos querido. E provaram que não tira mau olhado coisíssima nenhuma. Pelo contrário, até.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Desistir jamais
Nada como começar um mea culpa com frase de efeito em sentido oposto. É arte política manjada essa da retórica, ando bem abastecido, confesso. Não é minha vontade que me mantém longe daqui, é a obrigação de cumprir com meus deveres àquele que me paga, você, munícipe. Não deixemos os nossos valores de lado, o que acreditamos, nossos objetivos. Que seja louvada sempre a nobreza do ato de escrever, que seja sempre devidamente valorizado. Devemos sempre incentivar, priorizar e focar a escrita como forma de expressão libertadora e expansiva.
E blábláblá. Sim, uma semana sem atualizar é quase um recorde.
PS: Como eu tenho o que contar, prosa pra soltar. Ô se tenho. Ah, se meu chefe soubesse que tenho trabalhado tanto que isso aqui está, há uma semana, mais quieto que conferência de LIBRAS.
E blábláblá. Sim, uma semana sem atualizar é quase um recorde.
PS: Como eu tenho o que contar, prosa pra soltar. Ô se tenho. Ah, se meu chefe soubesse que tenho trabalhado tanto que isso aqui está, há uma semana, mais quieto que conferência de LIBRAS.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Por que não sou um post do blog do Saramago?
Porque apenas meia dúzia vai me ler.
Porque quem me escreveu não ganhou prêmio Nobel. Nem quer, ou sequer poderia, ganhar.
Porque não tenho conteúdo, não contesto, não acrescento.
Porquenãofaçosentidoassimtudojunto e nem sem ponto sem virgula sem pausa sem respiro; nem aparento ser compacto como um bloco de miojo
Porque depois que terminar de me ler, você não lembrar do que leu aqui.
Porque você não vai encaminhar aos seus amigos.
Porque meu assunto principal não é quente.
Porque você não vai se exclamar "nossa, que puta idéia!"
Porque não tenho frases que nunca se acabam.
Porque não conto história alguma que acrescente.
Porque não fui criado nas Ilhas Canárias.
PS: Tá meio morto o Caderno do Véio, mas que eu pago um pau pra clareza e a escolha das palavras dele, ah eu pago. Apesar de insistentemente não conseguir ler um livro sequer até o final.
Porque quem me escreveu não ganhou prêmio Nobel. Nem quer, ou sequer poderia, ganhar.
Porque não tenho conteúdo, não contesto, não acrescento.
Porquenãofaçosentidoassimtudojunto e nem sem ponto sem virgula sem pausa sem respiro; nem aparento ser compacto como um bloco de miojo
Porque depois que terminar de me ler, você não lembrar do que leu aqui.
Porque você não vai encaminhar aos seus amigos.
Porque meu assunto principal não é quente.
Porque você não vai se exclamar "nossa, que puta idéia!"
Porque não tenho frases que nunca se acabam.
Porque não conto história alguma que acrescente.
Porque não fui criado nas Ilhas Canárias.
PS: Tá meio morto o Caderno do Véio, mas que eu pago um pau pra clareza e a escolha das palavras dele, ah eu pago. Apesar de insistentemente não conseguir ler um livro sequer até o final.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Das belezas do futebol
Sou admirador e degustador de futebol. Explico, admiro o esporte primeiro pelo que representa enquanto pilar de interesse e transformação da sociedade e segundo porque é emocionante pra caralho, mesmo. Não tem nada que consiga reunir tanta gente junta em torno de um mesmo objetivo, para festejar.
No embalo do conteúdo do MIGALHAS, coloco um pouco mais para deixar o nosso amigo de Mountain View, California, satisfeito e sempre alimentado de informações desse blog.
----
O futebol é a alegria do povo. A liturgia da descontração, da
solidariedade, do aplauso e do apupo, da criatividade e da
descontração. Futebol é festa ! E clímax. Choro e tristeza. A coluna,
hoje, será enriquecida pela linguagem vinda dos campos. Desde já, o
meu abraço solidário aos queridos jogadores, a quem se atribuem as
pérolas abaixo. Enviadas por um tal de Carlos Alberto Albuquerque.
/"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da
VARIG."/ (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando
em excursão à Europa)
/"Tanto com a minha vida futebolística quanto com a minha vida
humana."/ (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do
jogo de despedida do Zico)
/"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."/ (Dunga, em
entrevista ao programa Terceiro Tempo)
/"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A partir de agora o meu coração só tem uma cor : vermelho e
preto."/ (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
/"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui
fondo e chutei pro gol."/ (Jardel, ex-jogador do Vasco e Grêmio, ao
relatar ao repórter o gol que tinha feito)
/"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."/
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do
Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de
72)
/"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A bola ia indo, indo, indo... e iu !"/ (Nunes, jogador do
Flamengo da década de 80)
/"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."/
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
/"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe." / (Jardel,
ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
/"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático
e gramático."/ (Vicente Matheus, quando presidia o Corinthians)
/"O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão
correta, deu um passo a frente."/ (João Pinto, jogador do Benfica de
Portugal)
No embalo do conteúdo do MIGALHAS, coloco um pouco mais para deixar o nosso amigo de Mountain View, California, satisfeito e sempre alimentado de informações desse blog.
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O futebol é a alegria do povo. A liturgia da descontração, da
solidariedade, do aplauso e do apupo, da criatividade e da
descontração. Futebol é festa ! E clímax. Choro e tristeza. A coluna,
hoje, será enriquecida pela linguagem vinda dos campos. Desde já, o
meu abraço solidário aos queridos jogadores, a quem se atribuem as
pérolas abaixo. Enviadas por um tal de Carlos Alberto Albuquerque.
/"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da
VARIG."/ (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando
em excursão à Europa)
/"Tanto com a minha vida futebolística quanto com a minha vida
humana."/ (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do
jogo de despedida do Zico)
/"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe."/ (Dunga, em
entrevista ao programa Terceiro Tempo)
/"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A partir de agora o meu coração só tem uma cor : vermelho e
preto."/ (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
/"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui
fondo e chutei pro gol."/ (Jardel, ex-jogador do Vasco e Grêmio, ao
relatar ao repórter o gol que tinha feito)
/"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu."/
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do
Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de
72)
/"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado."/
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
/"A bola ia indo, indo, indo... e iu !"/ (Nunes, jogador do
Flamengo da década de 80)
/"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola."/
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
/"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe." / (Jardel,
ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
/"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático
e gramático."/ (Vicente Matheus, quando presidia o Corinthians)
/"O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão
correta, deu um passo a frente."/ (João Pinto, jogador do Benfica de
Portugal)
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sinceridade e Sagacidade
Diariamente recebo uma newsletter feita por adEvogados e para adEvogados chamada MIGALHAS, que já deve ter muitos anos porque tá no número 2270. (Não, não sou advogado). É meio mala e pedante, como não poderia deixar de ser, mas às vezes tem coisas bacanas, como a fabuleta/causo abaixo.
Sinceridade e Sagacidade
Zé Cavalcanti, ex-deputado paraibano, conta em seu livro "A
Política e os Políticos", que um coronel do sertão, ao passar o
comando de seus domínios para o filho, aconselhou :
-Meu rapaz, se queres ser bem sucedido na política, cultiva estas
duas verdades : a sinceridade e a sagacidade.
-O que é sinceridade, meu pai ?
- É manter a palavra empenhada, custe o que custar.
- E o que é sagacidade ?
- É nunca empenhar a palavra, custe o que custar.
Sinceridade e Sagacidade
Zé Cavalcanti, ex-deputado paraibano, conta em seu livro "A
Política e os Políticos", que um coronel do sertão, ao passar o
comando de seus domínios para o filho, aconselhou :
-Meu rapaz, se queres ser bem sucedido na política, cultiva estas
duas verdades : a sinceridade e a sagacidade.
-O que é sinceridade, meu pai ?
- É manter a palavra empenhada, custe o que custar.
- E o que é sagacidade ?
- É nunca empenhar a palavra, custe o que custar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Incroyable
Vi na televisão na sexta na hora do almoço. Era o boneco grafitado num muro do Vale do Anhangabaú que ganhava vida no meio de uma multidão ali mesmo, conceito de sair do papel e tomar formas reais. Um gigante inflável marchando no meio da galera. Intervenção da trupe francesa (desculpa, mas ainda não aprendemos isso) Les Plasticiens Volants em parceria com a dupla osgemeos, artistas oriundos do grafiti (isso não só aprendemos, como damos show pelo mundo). Reta final de Ano da França no Brasil, e junto com um show de Siba e a Fuloresta, com participação de Zeca Baleiro, era o happy hour light perfeito para uma sexta-feira caliente de primavera.
Instigado que fiquei para ver aquilo, mandei email chamando a galera. Nego não se animou muito, talvez por ser no centro ainda afaste as pessoas (certeza que se falasse que era no MASP iria mais gente), ou minha companhia não anda muito em alta. Baixei no Anhangabaú para, sem saber, viver uma das coisas mais marcantes até hoje.
Que mágico aquilo, lúdico, poético. Sei lá, essas fotos podem dar uma idéia, mas o som, as luzes, o claor humano, os sorrisos e olhares encantados que se cruzavam intensos. Foi marcante, maior que palavras. Um teatro, um enredo, aquele boneco me pareceu vivo em vários momentos, lamentei a quase morte dele, a serpente descendo Praça Ramos de Azevedo deu tensão a tudo aquilo. Como criança, sorri. Como criança me arrepiei.Fiquei besta, fiquei bobo. Quem viu, viu.

Crédito das fotos: Bob Kerr Jr
Tá explicado o apagão
From: Montgomery Burns [mailto: Mr.Burns@springfieldnuclearplant.com ]
Sent: terça-feira , 09 de novembro de 2009 15:38
Subject: Organizational Annoucement
Dear all,
This morning our employee Homer J. Simpson decided to leave Springfield Nuclear Plant.
Please join me in wishing good luck in his new role in Itaipu - Brazil.
Mr. Burns
Sent: terça-feira , 09 de novembro de 2009 15:38
Subject: Organizational Annoucement
Dear all,
This morning our employee Homer J. Simpson decided to leave Springfield Nuclear Plant.
Please join me in wishing good luck in his new role in Itaipu - Brazil.
Mr. Burns
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Alheio
Eu não estava num elevador. Não estava no carro. Nem no Metrô. Não estava no trânsito. Sequer estava numa avenida movimentada. Nem numa porta de faculdade. Nem num buteco. Muito menos num restaurante. Não estava com uma mulher. Menos ainda com um cara. Não estava ao ar livre. Nem estava ocupado.
"Onde você estava?" Não tem pergunta mais 11 de setembro que essa. E depois do apagão na noite do último dia 10, voltou pro rol das mais frequentes. E malas.
Terça foi punk, fui um monge no trabalho, ouvi cada coisa, tipo um nível bem pesado. Fiquei quieto, mas descontei em quem não devia fora do trabalho, falei o que não devia, exagerei. Um mea-culpa aqui. Você sabe que é pra você. Tudo o que eu queria era calma, e lá estava eu, às 22h15 no melhor lugar em que poderia estar naquela terça-feira abafada com pinta de noite de verão em que muito trabalho, nhenhenhéns demais e resoluções de menos me tiraram o humor e as energias. Era lá que eu estava. Sofá da sala, janela aberta.
Tava pra começar o Furo MTV. O prato estava quente no meu colo, fome de dia todo. Tinha bife de ontem, ainda bom, suflê de ontem e mais alguma coisa antiga. Tava bom, juro, bem molhadinho, saboroso. A luz piscou. Olhei meio assim. Pernas estendidas no puf, o prato impedindo qualquer movimentação. "Pô, justo agora vai acabar a luz? Tenho mesmo que levantar pra tirar tudo da tomada? Será que ainda tem vela no armário da cozinha? Ah, acho que já já volta".
Achadas as velas, acostumadas as retinas, esfriada a comida, terminado o prato, interrompido os pensamentos mancos daquele fim de dia digno de ostracismo, escovei os dentes. Afinal, ainda tinha água na torneira sem saber que o "ainda" era "por enquanto". O escurinho ajudou a proporcionar um bocejo, reação em cadeia. Sonhei com alienígenas chegavam na terra, e quando acordei nem sonhava que o caos estave instalado. De verdade. E sem extra-terrestres. Gente dormindo na rua, sem conseguir ligar para casa, medo, pânico, do mesmo diretor de Independence Day e Guerra dos Mundos.
Todo mundo tem uma história do apagão. Menos eu.
"Onde você estava?" Não tem pergunta mais 11 de setembro que essa. E depois do apagão na noite do último dia 10, voltou pro rol das mais frequentes. E malas.
Terça foi punk, fui um monge no trabalho, ouvi cada coisa, tipo um nível bem pesado. Fiquei quieto, mas descontei em quem não devia fora do trabalho, falei o que não devia, exagerei. Um mea-culpa aqui. Você sabe que é pra você. Tudo o que eu queria era calma, e lá estava eu, às 22h15 no melhor lugar em que poderia estar naquela terça-feira abafada com pinta de noite de verão em que muito trabalho, nhenhenhéns demais e resoluções de menos me tiraram o humor e as energias. Era lá que eu estava. Sofá da sala, janela aberta.
Tava pra começar o Furo MTV. O prato estava quente no meu colo, fome de dia todo. Tinha bife de ontem, ainda bom, suflê de ontem e mais alguma coisa antiga. Tava bom, juro, bem molhadinho, saboroso. A luz piscou. Olhei meio assim. Pernas estendidas no puf, o prato impedindo qualquer movimentação. "Pô, justo agora vai acabar a luz? Tenho mesmo que levantar pra tirar tudo da tomada? Será que ainda tem vela no armário da cozinha? Ah, acho que já já volta".
Achadas as velas, acostumadas as retinas, esfriada a comida, terminado o prato, interrompido os pensamentos mancos daquele fim de dia digno de ostracismo, escovei os dentes. Afinal, ainda tinha água na torneira sem saber que o "ainda" era "por enquanto". O escurinho ajudou a proporcionar um bocejo, reação em cadeia. Sonhei com alienígenas chegavam na terra, e quando acordei nem sonhava que o caos estave instalado. De verdade. E sem extra-terrestres. Gente dormindo na rua, sem conseguir ligar para casa, medo, pânico, do mesmo diretor de Independence Day e Guerra dos Mundos.
Todo mundo tem uma história do apagão. Menos eu.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Post que não sai do forno
Sabe quando sobra matéria prima, mas falta tempo pra transformar?
Essa foi um semana de silêncio, muito trabalho, investimento, muita coisa por vir.
Uma hora sai. Uma hora tudo sai. E aí quem sabe até nossos Leitores da Casa do Chapéu saiam da toca, né Mr. Mountain View, Mr. Atlanta, Mr. Nagoya ou Mr. Lisboa. Tá todo mundo convocado a mandar um email para ser entrevistado aberta ou anonimamente. Perguntas definitivamente não faltam, já tempo...
Essa foi um semana de silêncio, muito trabalho, investimento, muita coisa por vir.
Uma hora sai. Uma hora tudo sai. E aí quem sabe até nossos Leitores da Casa do Chapéu saiam da toca, né Mr. Mountain View, Mr. Atlanta, Mr. Nagoya ou Mr. Lisboa. Tá todo mundo convocado a mandar um email para ser entrevistado aberta ou anonimamente. Perguntas definitivamente não faltam, já tempo...
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Esse dia vai ser seu um dia
Não me lembro a última vez que passei Finados em Sampa, 2 de novembro normalmente é na praia, com chuva. Mas esse ano, mesmo sabendo do sol inédito que ia fazer, me empenhei pra ficar e tentar fazer algumas fotos, aproveitandoa a luz do fim de tarde, pra mim sem igual.
Admito que tenho muito mais medo de um passeio na Vila Olímpia, povoada por seus blasés que quase me ferem com seus narizes arrebitados que de qualquer cemitério, com suas tumbas plácidas, tranquilas. Morto tá morto e tá de boa. Deve ser uma ótima ser morto, sério. Não tem conta pra pagar, não patrão, não tem doença, não tem unha encravada. Já pensou por esse lado?
Então foi isso, segundona de alguns cliques no cemitério da Consolação.
Admito que tenho muito mais medo de um passeio na Vila Olímpia, povoada por seus blasés que quase me ferem com seus narizes arrebitados que de qualquer cemitério, com suas tumbas plácidas, tranquilas. Morto tá morto e tá de boa. Deve ser uma ótima ser morto, sério. Não tem conta pra pagar, não patrão, não tem doença, não tem unha encravada. Já pensou por esse lado?
Então foi isso, segundona de alguns cliques no cemitério da Consolação.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sobre chacretes e panicats

Estréia do filme Alô Alô Terezinha, Reserva Cultural. Cheguei com boa antecedência. Saco umas câmeras, balbúrdia e logo entendo que estão Silvio e Vesgo gravando pro Pânico na TV. Ok. Vesgo vestido de Chacrinha. Ok. Panicats vestidas de chacretes. Ok. Não me lembro de ter visto mulheres-objeto tão bem lapidadas como elas, realmente gostosíssimas e dançando no lugar, sem música, vale ressaltar. Verdadeiros bibelôs, artigos de design para contemplar. De mentira? Claro que sim, mas se ficção não fosse bacana, George Lucas ainda seria produtor de garagem. Enfã, após os primeiros instantes embasbacado olhando praqueles glúteos de meu deus, me peguei pensando:
- O que elas pensam? Será que elas pensam? Será que alguém tem que pensar por elas? Pensam no futuro? Pensam que a estética é efêmera? Sabem o que significa “efêmera”?
Enquanto os dois humoristas faziam piadas bizarramente sem graça com os convidados, especialmente desdenhando do atual estado das carcaças das antigas assistentes de palco de Abelardo Barbosa, as duas panicats dançavam incessante e agonizantemente no lugar, sempre sem música. Eu me pensava:
- No que elas estão pensando?
Tudo isso é de se esperar, bem previsível. Eu só não sabia que era estréia quando meu amigo chamou. Beleza, o filme era pra começar às 21, depois às 21h30, mas foi só meia hora depois que começou. Não sem antes o diretor aparecer na frente da sala escoltado por meia dúzia de chacretes de verdade, já sessentonas, incluindo Rita Cadilac e Monique Evans, que consegue ser mais vulgar que todas juntas.
O filme é bom e não é uma biografia do Chacrinha, acredite. Mostra como circularam e como tanta gente foi influenciada por seu universo. É a história das expectativas e dos sonhos dos artistas, calouros e assistentes que andaram ao lado dele. Um retrato da decadência humana. Dá pra gargalhar, melhor que qualquer comedia. Mas dá pra se lamentar também. E eu saí pensando:
- Será que as panicats viram o filme? O que será que elas pensaram? Será que entenderam? Será que sabem o que é gravidade?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
No pacote
Duas amigas pero no mucho se encontram depois de mais de 15 anos durante o casamento do filho mais velho de uma terceira amiga em comum.
- Nossa, quanto tempo!
- Pois é, como você tá?
- Bem, na medida do possível!
- Olha, como você tá magra!
- Você também tá ótima.
- E aí, casada ainda?
- Tô, na verdade com um novo marido, e você?
- Ótima, casada com minhas gatas, homem tá difícil, viu?
- Eu sei bem, é tanto problema. Mas meus seis cachorros também me fazem companhia.
- Seis? Precisa de um sítio pra ter seis cachorros.
- Ah, eles ficam num sítio lindo em Itapevi, que veio no pacote do casamento.
- Uau, o que mais veio no pacote?
- Um Mal de Parkinson, três pontes de safena e uma mamária.
- ...
- Nossa, quanto tempo!
- Pois é, como você tá?
- Bem, na medida do possível!
- Olha, como você tá magra!
- Você também tá ótima.
- E aí, casada ainda?
- Tô, na verdade com um novo marido, e você?
- Ótima, casada com minhas gatas, homem tá difícil, viu?
- Eu sei bem, é tanto problema. Mas meus seis cachorros também me fazem companhia.
- Seis? Precisa de um sítio pra ter seis cachorros.
- Ah, eles ficam num sítio lindo em Itapevi, que veio no pacote do casamento.
- Uau, o que mais veio no pacote?
- Um Mal de Parkinson, três pontes de safena e uma mamária.
- ...
domingo, 25 de outubro de 2009
Tem jeito?
A morte do coordenador do AfroReggae no domingo passado me deixou indignado a princípio. Porém, depois de ver as imagens dantescas protagonizadas pelo Capitão Bizarro, em que rouba e libera os ladrões/assassinos instante depois da ação, estou achando que morreu meu resquício de esperança de ver um dia o Rio incubar e difundir uma enraizada cultura de paz.
Esse vídeo foi feito hé muito tempo, quando trabalhei numa agência de propaganda que atendia patrocinadores do AfroReggae. Fomos visitar o trabalho deles nos núcleos do Complexo do Alemão, Parada de Lucas e Vigário Geral. Até hoje um dos dias mais bacanas que eu já vivi profissionalmente e como ser humano. Essa ONG é um puro exemplo de dedicação no corajoso propósito de dar uma nova saída àqueles que têm o tráfico como opção mais tentadora de futuro, ainda que todos saibam ser curto.
Estive lá há mais de 2 anos e rever essas imagens me lembrou de momentos marcantes, de sensações de esperança, de que "tem jeito". O Evandro aparece num frame na aultura dos 5'14", mas lembro que foi com ele que levei alguns dos melhores papos no decorrer daquele dia. Tinha um compromentimento com a idéia digno de comandante que acredita no seu navio até o fim. Infelizmente foi-se antes da embarcação, pelas mãos dos mesmos jovens cujas vidas tentava mudar diariamente. O barco continua e como quero acreditar que ainda "tem jeito".
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Breve história de Velório
Olhar sonolento, mas cheio de uma simpatia doce. Voz fina, lingua sutilmente presa, fala pausada, já pensaram que era gago, mas né não. Agora já calvo, contudo ainda tem charme, se é que brinco de pedrinha ainda pode ser considerado charme. Charm é o que ele fuma e o que exala dele, poroso. Foi atropelado três vezes em serviço, quem disse que é moleza ser aqueles operários que agitam bandeirinhas na estrada ou mesmo na cidade quando tem alguma obra na pista?
Antonio Carlos Ramos de Azevedo é nome de glamour, sobrenome de quem projeta edifícios-símbolo, marcos culturais. Mesmo dono de uma imponente nomenclatura, o sir é conhecido por toda a parte como Velório, a explicação há de vir mais abaixo. Claro que não apenas se fazia de quase morto, agitando flâmulas sem entusiasmo, vale frisar que pegava no duro também, peão mesmo. Como bem se sabe, tapar buracos não é arte, é ciência. E digamos que nosso herói era doutorando ou, quem sabe mais até, postulante a livre docente no tema.
A única possibilidade que se mostra para um acadêmico comum abandonar seu tema de estudo parece ser o tédio, uma enfadonha overdose do tema. Já no caso de Velório foram outras as razões de seu guinchamento. Por três vezes enquanto estava a serviço foi atropelado, após a última o médico deu um laudo que o o obrigaria a mudar de setor. Virou um carimbador de papel de luxo, office boy de 61 anos.
O que ele mais queria hoje de manhã era tapar um buraquinho, refazer uma capinha asfáltica aqui e ali, sentir o cheiro de piche do dever cumprido. Escrito assim parece até apetitoso, não? Mas no momento tem apenas uns carimbos a bater e processos a protocolar no departamento de cadastro de uma subprefeitura qualquer.
E tem amigos, claro. Joga conversa fora, conta piada, cartas de baralho e faz maço no truco. Sempre gostou de um mézinho de leve e foi numa noite mais embalada, muitos anos atrás que Antonio foi ao funeral da mãe de um colega de trabalho. No entanto, havia passado a tarde toda sorvindo água que babuíno não sorve. Na entrada do salão, sutilmente esbarrou no caixão. E como numa rima óbvia terminada em ão, foi velha prum lado, coroa de flores pro outro, ao melhor estilo pastelão. Pronto, o apelido grudou mais que piche em manta asfáltica.
Antonio Carlos Ramos de Azevedo é nome de glamour, sobrenome de quem projeta edifícios-símbolo, marcos culturais. Mesmo dono de uma imponente nomenclatura, o sir é conhecido por toda a parte como Velório, a explicação há de vir mais abaixo. Claro que não apenas se fazia de quase morto, agitando flâmulas sem entusiasmo, vale frisar que pegava no duro também, peão mesmo. Como bem se sabe, tapar buracos não é arte, é ciência. E digamos que nosso herói era doutorando ou, quem sabe mais até, postulante a livre docente no tema.
A única possibilidade que se mostra para um acadêmico comum abandonar seu tema de estudo parece ser o tédio, uma enfadonha overdose do tema. Já no caso de Velório foram outras as razões de seu guinchamento. Por três vezes enquanto estava a serviço foi atropelado, após a última o médico deu um laudo que o o obrigaria a mudar de setor. Virou um carimbador de papel de luxo, office boy de 61 anos.
O que ele mais queria hoje de manhã era tapar um buraquinho, refazer uma capinha asfáltica aqui e ali, sentir o cheiro de piche do dever cumprido. Escrito assim parece até apetitoso, não? Mas no momento tem apenas uns carimbos a bater e processos a protocolar no departamento de cadastro de uma subprefeitura qualquer.
E tem amigos, claro. Joga conversa fora, conta piada, cartas de baralho e faz maço no truco. Sempre gostou de um mézinho de leve e foi numa noite mais embalada, muitos anos atrás que Antonio foi ao funeral da mãe de um colega de trabalho. No entanto, havia passado a tarde toda sorvindo água que babuíno não sorve. Na entrada do salão, sutilmente esbarrou no caixão. E como numa rima óbvia terminada em ão, foi velha prum lado, coroa de flores pro outro, ao melhor estilo pastelão. Pronto, o apelido grudou mais que piche em manta asfáltica.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Morar no Brasil é...
Ser parado pela PM e tomar "aquela" geral no sábado.
Ser apresentado a um major e a um capitão na segunda.
O capitão bater continência para você.
!?!? sim, isso é Brasil pra caralho.
Ser apresentado a um major e a um capitão na segunda.
O capitão bater continência para você.
!?!? sim, isso é Brasil pra caralho.
Sobre euforia e realidade
Tá mais fácil eu ver o Corinthians ganhar uma Libertadores do que o Rubens ganhar em Interlagos. Ok, já me conformei. Precisava ter escutado minha avó, que ontem disse cautelosa diante do meu entusiasmo, 'não crie expectativas, filho'. E a danada tinha mais que razão. Fui me encolhendo no sofá volta após volta, erro de estratégia, a Brawn rendia pouco e a Red Bull do Webber estava com asas. Só o Kobayahsi me eletrizou, esse promete.
É verdade que o pneu furou, mas Rubens trocou, voltou pra pista e terminou a prova em oitavo. A torcida que vibrou na véspera com a pole era a mesma que teve bom senso suficiente para gritar seu nome no final. O retrato do Brasil se fez ali, confirmando a teoria do "Homem Cordial", de Sergio Buarque de Hollanda.
Curioso que no mesmo dia em que o humilde e calejado Barichello fez a pole position, o Rio de Janeiro estava em guerra. Pela 1ª vez eu um helicóptero da polícia foi abatido pelos traficantes, tantas e tantas vezes vi apreenderem armas anti-aéreas, finalmente entendeu-se que elas podem alvejar algo mais aéreo que um caveirão. Batalha pesada, uma mochila inteira com cartuchos deflagrados foi recolhida no local, oito ônibus incendiados, mais de 15 mortos. Tudo isso 2 semanas após a cidade fazer aquele belo teatro ao ser anunciada sede das Olimpíadas de 2016. Mas se o entusiasmo da festa do sábado serviu para consolar a frustração de domingo em Interlagos, tenha certeza que a guerra desde sábado não há nem de ser lembrada daqui a 7 anos.
É verdade que o pneu furou, mas Rubens trocou, voltou pra pista e terminou a prova em oitavo. A torcida que vibrou na véspera com a pole era a mesma que teve bom senso suficiente para gritar seu nome no final. O retrato do Brasil se fez ali, confirmando a teoria do "Homem Cordial", de Sergio Buarque de Hollanda.
Curioso que no mesmo dia em que o humilde e calejado Barichello fez a pole position, o Rio de Janeiro estava em guerra. Pela 1ª vez eu um helicóptero da polícia foi abatido pelos traficantes, tantas e tantas vezes vi apreenderem armas anti-aéreas, finalmente entendeu-se que elas podem alvejar algo mais aéreo que um caveirão. Batalha pesada, uma mochila inteira com cartuchos deflagrados foi recolhida no local, oito ônibus incendiados, mais de 15 mortos. Tudo isso 2 semanas após a cidade fazer aquele belo teatro ao ser anunciada sede das Olimpíadas de 2016. Mas se o entusiasmo da festa do sábado serviu para consolar a frustração de domingo em Interlagos, tenha certeza que a guerra desde sábado não há nem de ser lembrada daqui a 7 anos.
domingo, 18 de outubro de 2009
Rubinho é Brasil e eu sou Rubinho
No instante em que escrevo isso Rubinho tem a pole. Daqui a 10 minutos será dada a bandeirada. Ele está uma serenidade empolgante, meus olhos até marejaram, tamanho entusiasmo e placidez que o cara consegue ter segundos antes de entrar no carro. Assim que terminar a corrida, escreverei. Não sei se é por ser brasileiro, mas fui contagiado. Estou Rubinho demais às 13h55.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Nova seção: "Leitor da Casa do Chapéu"
Tem uma ferramenta bem interessante nesse contador aqui no cantinho direito: ele consegue mapear de onde estão entrando os (cinco) visitantes deste blog. Quase não sei qual a razão de a lista ser dominada por São Paulo/SP, mas vira e mexe aparecem lugares inusitadíssimos. E uma localidade que tem me chamado muito a anteção é Mountain View, Califórnia, com entradas recorrentes por aqui. Muito obrigado, mas não sei agradeço ou se lamento a sua 'perca' de tempo. Poxa, que honra ter gente lendo essas bobagens de tão longe.
Por isso, e por causa da minha frenética curiosidade eu queria inaugurar aqui uma seção neste instante batizada "Leitor da Casa do Chapéu" e nesse espaço eu gostaria de entrevistar um leitor X, sorteado a randomicamente, de acordo com a distância que está aqui desse escriba 171. Pode ser anonimamente, o objetivo é entender os anseios, as motivações, o sabor de chiclete preferido e os dissabores do leitor; e não saber quem é, o que faz ou quantos anos tem.
Caríssimo leitor de Mountain View, mesmo que sejas tímido, por favor me mande um email simplesmente se identificando e eu adoraria fazer-lhe perguntas sem propósito.
Caso o de Mountain View não entenda português, o de Anápolis, a de Londrina (ah, eu já sei quem é você! Mas dá uma bela entrevista) o de Little Rock, Arkansas, (Bill, is that you?), o de Montréal ou o de Dublin (Bono, again?) estão escalados desde já. Mandaí! Não fique tímido(a).
Yes this blog understands english but is lazy for translations.
Muito obrigado pela colaboração nesta ousada empreitada, que pode não dar em nada, pura e simplesmente.
felipemortara@gmail.com
Por isso, e por causa da minha frenética curiosidade eu queria inaugurar aqui uma seção neste instante batizada "Leitor da Casa do Chapéu" e nesse espaço eu gostaria de entrevistar um leitor X, sorteado a randomicamente, de acordo com a distância que está aqui desse escriba 171. Pode ser anonimamente, o objetivo é entender os anseios, as motivações, o sabor de chiclete preferido e os dissabores do leitor; e não saber quem é, o que faz ou quantos anos tem.
Caríssimo leitor de Mountain View, mesmo que sejas tímido, por favor me mande um email simplesmente se identificando e eu adoraria fazer-lhe perguntas sem propósito.
Caso o de Mountain View não entenda português, o de Anápolis, a de Londrina (ah, eu já sei quem é você! Mas dá uma bela entrevista) o de Little Rock, Arkansas, (Bill, is that you?), o de Montréal ou o de Dublin (Bono, again?) estão escalados desde já. Mandaí! Não fique tímido(a).
Yes this blog understands english but is lazy for translations.
Muito obrigado pela colaboração nesta ousada empreitada, que pode não dar em nada, pura e simplesmente.
felipemortara@gmail.com
Um menino chamado Adriano
Tinha os pés calejados, não usava sandália porque ao deixá-las na praia já tinha sido roubado certa vez, mesmo morando numa favelinha do Guarujá. Era igual, mas diferente. Viu vários amigos e colega perderem a guerra com o vício e o tráfico. Ouviu muita merda. Muito nego gorando, dizendo que não daria certo. Até que um cara chamado Álfio descobriu que se tratava de um diamante de 1,20m destruindo as marolas da Praia das Pitangueiras e que de uma lapidação poderia sugir algo precioso. Intuição de quem conhece.
Nessas, um cabra mais agilizado apelidado (injustamente?) Pinga assinou um contrato de patrocínio (quase) eterno com o garoto. Foi o mais jovem campeão do circuito de acesso ao WCT (elite mundial do surf) e até ontem ele era uma eterna promessa. Tive a chance de conviver um pouco com ele, conheço alguns defeitos, assim como um tanto de virtudes. Era o moleque que não tava na balada, que andava concentrado, com o iPod plugado na tecneira, que acordava antes que todo mundo, que assistia obsessivamente a vídeos de surf e que estudava movimentos. Médicos, fisiologistas, nutricionistas, preparadores, professor de inglês, tinha tudo isso à sua disposição. Foi sim um privilegiado de poder ter uma estrutura dessas, mas não foi o primeiro. Quem sabe tenha sido o primeiro que tenha sabido aproveitar.
Mas foi ontem que essa história começou a virar. O moleque cresceu, virou um pirulão, aprendeu muito. Nas águas geladas do País Basco, Adriano de Souza atropelou muita gente do quilate de Fred Patacchia, Taylor Knox e do Deus Robert Kelly Slater, na semi-final. Só isso já seria a glória, mas ele conseguiu ir além. E está em 3º no campeonato, não tão longe de Mick e Joel. Pode não ser esse ano que teremos o tão sonhado primeiro campeão brasileiro de surf, mas que tá mais perto do que nunca, isso tá.
Cada um assina como acha melhor
Quando assina uma obra, geralmente o artista dirige-se ao canto inferior direito e deixa ali alguma marca de identificação. Uma assinatura é o comum, mas pode ser um pequeno desenho, ou até impressão digital, enfãm, algo que faça com que aquela criação seja atribuída a ele. No já clássico Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino resolveu assinar de outra forma (não, não é só com uma suástica) além dos jatos de sangue e do caráter humano até a última gota de crueldade (e por que não, pureza) de seus personagens. Através da voz de um personagem o filme se conclue, com Tarantino claramente assinando sua peça pelos dos lábios do ator (preciso mesmo falar quem?), que olha fundo para o espectador e afirma sem titubear:
- Acho que eu fiz a minha obra prima.
- Acho que eu fiz a minha obra prima.
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