terça-feira, 15 de junho de 2010

Silêncio remédio


Muito silêncio por aqui. E o silêncio nunca vem só, traz pensamento embutido. Tenha certeza, nobre leitor, de que pensei em muita coisa nesses tempos e que nem de longe aposentar esse blog passou pela minha cabeça, deixar morrer só a chatice. Não dá, é automático, de vez em quando preciso espirrar por aqui e ser feliz. Não que não estivesse sendo esses dias, mas tava preocupado demais sendo eu mesmo. Sendo feliz de verdade, longe do mouse e do teclado, muito embora vendo eles quase que diariamente. A rotina é só ela, normal. Ver além do normal é privilégio que me foi dado não sei como e não sei por que. Mas não faz tempo e parece que uma estúpida clareza me tem arregalado os olhos ultimamente. Tem sido bom, espero que dure.

Silêncio é paz, respiro. Intervalo é melhor que pressa, que “pra ontem”. Silêncio é remédio, trabalha incansável para curar feridas, sanar dores. Adoro seguir lentamente apressado nesse mundo em que tudo já nasce velho. Me sinto novo a cada dia que se acaba de velho. Que os gritos das cornetas acordem de novo essa página, que voe aos ventos, que sacoleje ao som dos tambores desse tsunami que a cada quatro anos chacoalha essa terra. Férias ao silêncio porque ele tá precisando!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

As melhores coisas da vida?

Vi parte da minha vida passar na minha frente. Não, não foi cena do último salto, de uma pane de paraquedas, de um quase atropelamento ou colisão de carro. Foi cinema mesmo. Não, ainda não tive minha biografia adaptada para as telonas. Nem daria muita coisa, devo admitir. Vi tudo isso apenas olhando para um lugar, um cenário de filme.


Um lugar é muito mais do que o lugar em si. Quem já viu em fotos, no cinema ou na tevê lugares em que já esteve acaba voltando para lá. E a memória não traz apenas espaços, prédios, janelas, monumentos e cores. Carrega consigo cheiros, sons, ruídos, texturas, emoções não quantificáveis. À princípio, o que me levou a ver o filme As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, foi o fato de ter conversado com ela ano passado e também de gostar muito de Bicho de Sete Cabeças (2001).


Mas o que me prendeu ao filme foi a locação, supreendentemente era a escola onde estudei dos 11 aos 19 anos. Coincidência ou empatia, ou as duas coisas, me vi ali naqueles corredores, quadras, pátios, biblioteca e até a sala dos professores, onde tomei broncas e puxões de orelha homéricos. Cada canto, cada curva, banheiro, armários e murais, tudo era mais que um cenário de cinema pra mim, era minha vida.


Os personagens, sim, algumas associações. Alguns me lembram algumas pessoas, adolescência, professores, gente bacana, ou trouxa. Ou eu mesmo. Nunca tinha sentido isso, mas me vi na tela, não no personagem principal, mas no todo, no conflito, no drama, no espaço. Mergulhei talvez nas minhas memórias mais inconscientes, no que me formou como pessoa, nos meus pilares. Meditei bastante a respeito depois do filme e quem sabe a única conclusão seja de que um lugar pode significar bem mais do que parece.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ah, aquele cheiro

De gasolina.
De pão de queijo saindo do forno.
De jasmim roubado no arbusto logo ali.
Dos metrôs novos.
De amor.
De vinho bom.
De sabonete de erva doce.
De parmesão torrado.
De feijoada num sábado sem mais nada à tarde.
Da Marginal quando você chega pela Ayrton Senna.
Das bancas da Doutor Arnaldo.
De adesivo recém impresso.
De vento.
De céu azul em Boituva.
De Ibirapuera amanhecendo.
De pipoca só com sal.
De limão espremido na lula à dorê.
De café na cama.
De preguiça com cerveja e risada.
Seu.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Aquele lugar

Tem cheiro de erva doce, um perfuminho familiar. Em todo canto tem objetos que são como cartões de embarque para decolagens da memória. Tudo que de alguma forma fez parte de mim está ali, ou pelo menos parte de tudo. Aquele lugar me conhece como ninguém, me sinto netinho correndo em casa de vó. Mas a dona não é matriarca, é a vida. A vida que me fez voltar para lá com aqueles olhos, com os sentidos aguçados. Sempre piso ali, mas não como dessa vez. Chovia, cheirava, plantinhas de muitos odores. Cachorra histérica, agitada, antagonizava com a disritmia do meu respirar. Que moleza que me possuía quando acordei daquela siesta. Colchão de nuvem, voei por mares de descanso e de leveza. Aquele sábado poderia durar pra sempre, até porque a noite não terminou bem. Conforto é o carinho que um ambiente nos dá, e ali as paredes parecem fazer cafuné. Na marcha lenta, o sono da semana acumulado, a vontade de curtir o sábado irritando o anjinho que só queria a horizontal e tchau. Banho potente, a água caía dilacerando as células recém despertadas, desconforto. Mas o calor, o vapor, transformariam toda dor em conforto e tranquilidade. Não me tire deste banho nunca, não quero girar a torneira em sentido horário. Deixar a água escorrer é estilingar problemas, mau olhado. Bungy jump sem volta de energia inservível, sai coisa ruim. Massagem capilar de um netuno encanado, saudades do velho lar. Mais de um ano sem ver o mar, acredite. O Pacífico não conta, é sacanagem. O Atlântico é mais que pacífico para mim, aprendi a me acalmar ali, a deslizar ali, a tomar caldo e a respeitar o oceano ali. Ainda volto pra lá, com certeza eu volto pra lá. Naquele lugar, onde eu quiser.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A culpa é de todos nós

Dia desses eu tive o prazer de perguntar para um General do Exército Brasileiro a opinião dele sobre essa letra. E a resposta dele foi ótima:
- Todos nós temos culpa.

Hein?


Aluga-se

Raul Seixas

A solução pro nosso povo

Eu vou dar,
Negócio bom assim
Ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui
É só vim pegar
A solução é alugar o Brasil!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!...

Os estrangeiros
Eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico
Tem vista pro mar
A Amazônia
É o jardim do quintal
E o dólar dele
Paga o nosso mingau...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Pois esse imóvel está prá alugar

terça-feira, 11 de maio de 2010

Jogo do bicho

Essa semana o Dunga acabou com o pingo de esperança que eu tinha em ir pra Argentina em julho ostentando folgada e romarianamente minha camisa canarinha. Hoje o Dunga provou que gaúcho é macho. Provou também que não precisa tomar Viagra porque já tem a cabeça dura. Que a seleção não precisa de Pato nem de Ganso porque já tem um jumento. Hoje demonstrou que é sizudo e que não aceita sugestões, apesar de ter testado mais jogador em 4 anos que todos os outros treinadores entre 1998 e 2006. Mas também mostrou como só sabemos reclamar, me incluo nessa.

Se o Brasil ganha, tá ruim. Se perde, é pior. O Dunga não tem culpa, tadinho, de acreditar no que quer. Todo mundo acredita que ele é burro e como se sabe, toda unanimidade é burra. "Rei, ó tempo rei", cantou Gil. E dois dias foi mais que tempo para eu perceber que não dá pra ficar xingando ele, que é melhor aceitar, que é o que temos pra hoje. C´est la vie, martela o clichê. Hakuna matata, diriam uns amigos quenianos engraçados.

Dunga classificou a seleça em primeiro, faturou Copa América e das Confederações. (Só não levou Olimpíadas, mas isso é mais difícil que o Corinthians ganhar Libertadores, hablo sério). Ok. E lembra do Felipão, que classificou o time na última rodada, suado, sofrido e chegou na Copa do Japão e da Coréia do Sul completamente desacreditado e trouxe o caneco. Os patos, gansos e burros que me desculpem, mas alguma pulguinha agora me diz que pode dar zebra.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quem ri por último

Os corintianos e palmeirenses que me desculpem, mas quarta-feira foi bom demais. Ver os dois times eliminados da Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente, é um prazer sádico de quem já ganhou 3 vezes o maior dos títulos latino-americanos. Aquele monte de foto no jornal de alvinegros encostados nas grades do Pacaembu, olhos de Droopy, não tem preço. Os palmeirenses nem se lamentaram porque sabem que com aquele timeco não a lugar algum. Fiquei feliz, isso é fato.

Mas sinceramente acho que a alegria vai durar pouco, porque se depois daquele sufoco nos pênaltis, na terça-feira, o São Paulo não pegar no tranco e criar raça (porque até agora parece um time de funcionários públicos esperando dar 5 horas pra ir embora), vamo tomar um couro do Cruzeiro. Ou seja, nem tudo está perdido para porquinhos e gambás: podem ir colocando a Brahma pra gelar porque vocês ainda podem rir por último. Mas cuidado, porque se o Tricolor passar pela raposa, vai sair correndo e não perde pra mais ninguém.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O melhor motor do mundo


Mulheres, acreditem, recebi isso de uma mulher.
E divido com qualquer sem tempo que esteja flanando por aqui.



PS: Parece que esse cara já foi da Poli em alguma encarnação.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Each one, each one

Ela aparece toda pintada de boneca, exercício da faculdade. Teatro é coisa de boneca, diria meu avô. Minha calça bali colorida contrasta com a camisa do meu clube, listrada vermelho, preto e branco. Ela avexada porque pegou metrô daquele jeito, eu insandecido porque meu time chutava a gol havia mais de meia hora sem parar e não colocava uma mísera bola lá dentro, cazzo. Passou lencinho umedecido e tirou a maquiagem. Ficou indignada que eu coloco camisa de futebol para ver futebol sem estar num estádio de futebol. Debochou sei lá de que. Minha garganta já ardia de tanto xingar nego perna de pau que joga bola parecendo funcionário público que só que caia logo a caneta. Ela queria contar histórias da faculdade, e eu do jogo. E no final acho que com pênaltis, gritos e xingamentos a torto e a direito, a gente conversou. Aliás, é do João Ubaldo o livro ótimo que você tá lendo, né?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ora bolas, mais dentro do que fora

Bom, vamos pro balanço dos jogos da rodada, conferir os pitacos do post abaixo.

Barcelona 1 x 0 Internazionale - JOINHA!!!
Muito bom o jogo e que fase do Lúcio, do Júlio César e do Maicon. Torcendo pra Inter, apesar de ser Milan desde bambino.

São Paulo 2 x 0 Universitario (Peru) - BÉÉÉÉ!!!
Empate xexelento por zeroá, com direito a um chute só do Cicinho, jogo de número 900 do Rogério pelo tricolor e piti brabo do Richarlyson, batizado pelo Globo Esporte de Chilicky.

Flamengo 1 x 0 Corinthians (gol de Vagner Love) - JOINHA!!!
Que merda de chutador sou eu que faz previsão sem olhar a simples previsão dos humores de São Pedro. Choveu bagaray no Maraca e o campo tava lamentável. O gordo cervejeiro marcou de pênalti. Só errei o autor!

Atlético MG 2 x 2 Santos - BÉÉÉÉ!!!
O Galo mandou bem e consegui um golzinho de vantagem com o 3a2 em casa, mas vai peagr uma pedrreira na Vila Famosa semana que vem. E os dois do Santos eu acertei! Rá!

Vitória 1 x 2 Vasco - BÉÉÉÉ!!!
Errei, deu 2a0 pro Vitória no Barradão, subestimei demais.

Palmeiras 2 x 0 Atlético - GO - JOINHA!!!
O verdinho ganhou por 1a0 num pênalti roubado e chorado aos 49, sim, QUA-REN-TA E NO-VE do segundo tempo. Crise geral no Palestra. E um jogador do Atlético Goianiense, veja bem o nome do time: ATLÉTICO GOIANIENSE, disse que achou um absurdo ter perdido prum timinho que nem o Palmeiras! Hahaha! É o fim das glórias alviverdes!

Fluminense 1 x 3 Grêmio - JOINHA!!!
Errei só o placar, que foi 2a3, mas o Flu tá com um pé na (quase eterna) crise, mesmo de Muricy novo.

Balanço positivo nos chutes! Bolões da Copa, preparem-se!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pitacos de uma quarta-feira boleira

Provavelmente antes da Copa do Mundo não haverá um dia como hoje. Sim, muito, mas muito jogo clássico e com pinta de belos embates pelo Brasil e pelo mundo. Pra quem curte uma redonda desfilando no tapete é rede chacoalhando na certa!

Aproveitando o ânimo futebolístico e meu envolvimento cada dia maior com o esporte bretão (comprei um clube de futebol - de botão), resolvi dar uma Milton Neves das trevas e tentar chutar placares para os confrontos de hoje e amanhã. Valendo uma cerveja.

Barcelona 1 x 0 Internazionale

São Paulo 2 x 0 Universitario (Peru)

Flamengo 1 x 0 Corinthians (gol de Vagner Love)

Atlético MG 2 x 2 Santos

Vitória 1 x 2 Vasco

Palmeiras 2 x 0 Atlético - GO

Fluminense 1 x 3 Grêmio

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O que não tem explicação

Quando não sabem o que vai acontecer numa crise, os economistas dizem que o futuro é incerto, o que é óbvio até pra Mãe Dinah. Se fosse certo, eles dariam a resposta certeira e fariam (quase) todo mundo deixar de perder dinheiro. Já os mecânicos são uma espécie à parte, dois minutos bastam para dar um diagnóstico, sempre com cara de certeza, é a certeza certamente duvidosa. Especialmente quando dizem que "com certeza vai ficar pronto na terça-feira".

Policiais também enfrentam esse problema sempre que são confrontados a um crime mais bem planejado que a média, coisa assaz rara no Brasil. "Não há pistas”, “há poucas evidências” e “não há testemunhas”são as principais desculpas para o arquivamento de dores de cabeça. Negligenciar é quase um remédio. Na real, a omissão é o mais ilusório e paliativo dos medicamentos.

Por falar em medicamentos, uma categoria campeã em ornamentar pontos de interrogação é a dos médicos. Algumas vezes cheguei ao PS com tamanha certeza de que seria diagnosticado com “virose”, que apostava somas consideráveis. Nunca perdi. Sempre que um médico constata que não sabe o que você tem, você tem virose. É batata.

A virose é um nome que inventaram para tudo o que não se consegue resumir, definir, visualizar. A previsão do tempo que simplesmente não tem nada a ver com o que os meteorologistas falaram. O filme que o jornal deu 4 estrelas e que você não agüentou ficar até a metade. A derrota do seu time, que era favorito contra aquele mistão do clube adversário já classificado. O final previsível de um filme que tinha tudo para ser surpreendente. A virose é a própria explicação para o que não dá pra explicar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Saudade das pombas

Todo dia elas estavam ali, cedo, olhos esticados e atentos. Esperavam o café da manhã. Na verdade era pão da manhã o que aquelas pombas espreitavam todas as manhãs, logo ali, três casas pra lá da minha. Pela porta entreaberta via ele ali, logo cedo, esparramado em sua poltrona com vista para nossa rua sem saída. Uma década e meia vizinhos, sujeito simples, de sorriso gostoso e ventilado, olhos azuis como o céu do último final de semana e cabelos mais brancos que os brancos dos olhos.

Seu Armando ultimamente mal falava “ôôba!”, apenas erguia o braço, um sorriso de quando em vez. Não, nunca trocamos idéias, ao contrário de outros vizinhos. Era uma relação de olhares e cumprimentos sinceros. Eu sempre percebi o quanto ele foi declinando depois que Dona Ana, sua esposa, tomou o rumo dos pombos há uns 4 ou 5 anos. Ele sempre ali, olhar perdido, sentado no quintalzinho com alguns vasos de plantas que praticamente crescem sozinhas. Mas nada de melancolia explícita, era natural, só restou ver o tempo passar. E ele fazia isso placidamente.

Colocava as gaiolas de seus dois canarinhos na varanda, com almeirão pra cantarem felizes. E a felicidade era a garganta de cada um deles ecoando nas paredes de onde os pombos fitavam tudo. Os ratos alados tinham moral, pois sempre me pareceu que Seu Armando cuidava deles melhor que do neto Rafael, que espichava assustadoramente a cada pelada que eu jogava de nunca em vez.

Não foram poucas vezes que pensei em parar e tentar assuntar com Seu Armando uma tentativa de persuadi-lo a parar de alimentar as pombas, já que até ele devia saber que transmitem doenças. Mas ele as tinha como companhia, eram talvez as primas pobres de seus canarinhos amados. E quem sabe tivesse a esperança de um dia cantarem tão lindamente. Na sexta-feira de madrugada Seu Armando partiu para encontrar Dona Ana num mundo onde, quiçá, pombos possam cantar como canários.Talvez lá, porque naquele telhado já não estão mais.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pai de todos

O tiozão aí da foto chegou com uma toalha branca enorme enrolada no pescoço. Não sorriu. Viu a luz acender letamente sobre si. Apoiou a mão direita sobre o toca-discos, olhou para o público do Studio SP e mandou um grave, outro, e mais outro. Em troca, ouviu gritos e aplausos. Começou assim um dos melhores shows que já vi.

Afrika Bambaataa é o nome do homem. Padrinho de toda uma geração da black music, suas misturebas como DJ geraram batidas que mais tarde virariam hip-hop e o funk carioca, o Miami Bass. Nego bom, mas não imaginei que seria assim, bom de dar raiva, de xingar. Acompanhado de dois MCs yankees e jogando sons que vão de James Brown a Deise Tigrona e incrementando as batidas, misturando Bee Gees com sei lá o que e sei lá o que com Bee Gees a música ganhava nova roupagem, e ninguém parava de pular.

No Rio vai ter até encontro de Marcelo D2, Black Alien e BNegão. O cara é inspiração de todos eles. E já se fala numa possível volta do Planet Hemp. O cara é um catalizador de energias, um monstro, músico que cria música fagocitando-as. Memorável, inesquecível.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Amiga

Menina multilados, mas sempre com um norte invisível. Não dá para definir como é, o que é e nem como a gente a percebe. É meio como uma obra de Mondrian, cheia de traços e espaços preenchidos de ideias, porém sem nada quadrado. Simpatia com uns, cordialidade com todos. Sabe fingir que gosta e sabe gostar também, o que, por sinal, faz melhor. Pratica o gostar dos outros de uma forma maternal, às vezes demasiada. Um amigo pode se sentir um filho rapidamente, coisa que pode ser boa ou não, já que filho é chato, mimado e manhoso. Sim, me enquadro nessa categoria com alguma frequência. Mas se é mãe, é uma mãe sincera, aberta e com as opiniões muito, mas muito no lugar.

Aliás, isso vale um parágrafo novo. Os lados louca e sã (demais, até) dela convivem numa harmonia digna de condomínio de um condômino só. Transita do “mode crazy” pro “mode sane” numa fração de risada ou de desprezo. Os óculos que usa são apenas para enxergar de perto, já que visão de mundo, clareza e interligação dos fatos ela tem de sobra. Sobra tanto que às vezes até irrita o quanto ela percebe bem o mundo, os trejeitos das pessoas e o que é bom e ruim nelas.

Se precisa de óculos para ler textos, o mesmo não se pode dizer dela para ler pessoas. “Ler” pode envolver, claro, preconceitos e idéias pré formadas, mas ela tem um cazzo duma intuição, uma percepção além dos sentidos. Sim, é meio uma mistura de raio-x com thunder cats e a visão além do alcance, ela enxerga, e como enxerga, a maledetta!

Mas se por um lado enxerga, por outro deixa de enxergar. Quiçá por gostar demais, quiçá por não saber que nego monta, ela é muito mas muito bondosa demais e mesmo se dando mal, tendo problemas de convívio, tendo que repetir 30mil vezes a mesma coisa para alguém, ela continua ajudando e servindo incondicionalmente. Servir, esse é um verbo que combina demais com a moça. Serve demais e infelizmente é servida de menos, penso eu. Isso gera frustração? Claro que gera, mas não tanta quanto geraria em uma pessoa que espera abertamente as coisas em troca. A picachu é altruísta, meu rei. Às vezes, só o reconhecimento basta. Às vezes nem isso é necessário, porque ela sabe, no fundo dela, em algum lugar que nem ela sabe onde é, que fez o seu melhor. Que foi verdadeira, que foi ela mesma.

"E na bundinha, não vai nada?"

Recebi essa vaga de emprego:

A XXX é uma empresa de desenvolvimento web com mais de 12 anos de mercado. Buscamos profissionais com o seguinte perfil.

• Redator Requisito Imprescindível
• Dominar a escrita na língua portuguesa.
• Dominar a escrita para internet.
• Cursando superior nas áreas (Jornalismo, Publicidade, Marketing, Letras);
• Experiência como redator; Desejável
• Superior completo nas áreas (Jornalismo, Publicidade, Marketing, Letras);
• Conhecimento em Arquitetura da Informação;
• Conhecimento em Planejamento;
• Conhecimento em Edição de (Imagens, Vídeos e Som);
• Fluência em inglês;

E respondi o título desse post.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Montinho de gente querida

Nos últimos anos não me lembro de nenhum em que eu tenha ganhado tantos presentes. Livros, roupas, queijos, CDs, cadernos, castanhas, tequilas, e até vidro de pimenta especialmente preparada pela vovó. Mas foi num flash, no sábado à noite, brisa leve no terraço gostoso, naquele lugar improvável, cerveja na mão, que eu tive um estalo clichê. Os presentes ali não eram importantes, o importante era a presença de cada um. Esticar os olhos 360º e avistar grande parte das pessoas que você realmente quer bem é o grande privilégio. Todos soltos, se divertindo. Muitos eu não via e não se viam há tempos, estavam alegríssimos. É bom ser a desculpa para reuni-los. Melhor ainda é ver gente que nunca se conheceria, mas que têm algo a ver só que você não sabe o que é, e que ali, debaixo do teu teto, comendo os falafels que você inventou de fazer, ficam próximas, chegadas. Mesmo não levando um longo papo com ninguém, porque quem recebe não para, a sensação de saber e não saber mais ou menos o que tá rolando em todas as conversas é constante. Moral da história, ano após ano, o que importa são as pessoas importantes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Juntos pra que?

Na quarta-feira, lá pelas 15hs juntou um monte de gente lá na Candelária, no centro do belíssimo e abençoado município de São Sebastião do Rio de Janeiro. Juntou povo como não se via desde os caras pintadas, mar de gente mesmo. Protesto brabo. Pra derrubar um presidente? Pra protestar contra a corrupção que exala dos poros de grande partes de nossos governantes (e do povo também) e que impede o país de caminhar de fato? Pra fazer cair um presidente do Senado Federal que tem um mar de denúncias contra si? Pra pedir paz? Pra pedir mais segurança e uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos com planejamento e estrutura?

Não. Foram lutar por seu dinheiro.

Foram protestar contra a emenda do deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que propunha dividir os royalties (valores que as empresas exploradoras pagam ao Governo Federal) de forma equitativa entre todos os estados da Nação. O Rio tem toda razão.

Desde 1992 não se via o povo nas ruas como na quarta-feira. Fico feliz de multidão reunida, anonimamente, gritando palavras de ordem e lutando pelo que é seu. O que incomoda é que isso só é feito quando mexem direto no bolso do povo, como foi o congelamento da poupança pelo Collor. Será que desde 92 não houve motivos para reunir uma multidão como essa para exigir atitudes?

Questões de ética, de paz, reivindicações por melhorias parecem ser desimportantes. Parece que o povo só sente poderoso quando quer, quando algum político afeta a parte mais sensível do corpo: o bolso. Deixando de lado e chutando pra escanteio a luta por aquilo que de fato é importante, o brasileiro dá um tiro no pé a longo prazo e agindo assim enterniza esse modo de agir.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre perdão e rancor

Um filme que trate de perdão, crime e rancor já é pesado por definição, no seu âmago, mesmo se você o fizer em desenho animado, vide Valsa com Bashir. Um roteiro que conte a morte de uma garota linda estuprada e assassinada por um assassino misterioso, então, pode ser um enredo perfeito para provocar os instintos e a paz de qualquer um. Por isso vale muito a pena assistir O Segredo dos seus Olhos, filme argentino que faturou Oscar de melhor filme estrangeiro semana passada. Certamente o melhor filme que vi em 2010. Torçamos apenas para que os hermanos ganhando essa estatueta tirem o cavalinho da chuva na busca pelo caneco na África do Sul.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amigos de primeira às segundas

Sabe quando você pensa numa pessoa, pensa em ligar ou mandar email, até acha um tempinho em que poderia ligar ou escrever, mas não faz nem uma coisa nem outra? Isso acontece cada vez mais nesse nosso dia a dia metido a exageradamente acelerado, mas no fundo talvez seja uma desculpa da pressa implacável para sermos os bons e velhos egoístas que sempre fomos. Daí no fim de uma segunda chata ou no começo de uma quarta-feira desanimadora a gente fica pensando que tá sozinho, que tá com saudades de fulano, que não vê ciclano há tempos, que poderia marcar um bar hoje à noite que não tem nada de importante. Mas não, a gente finge que não é com a gente e volta pra bolha.

Esse ano eu tinha me prometido que toda segunda eu ia tentar mandar um email ou ligar pra um amigo(a) que eu adoro, mas que está distante ou que nao falo faz tempo. É meu projeto amigo "Amigo de primeira às segundas-feiras". Sei que já chegamos em março, mas como o ano começa depois do carnaval, eu tô apenas um mesinho atrasado. Tudo isso isso pra falar que comecei hoje o projeto com uma amiga maravilhosa, divertida e que, se não morasse em Campinas, eu tentaria muito tomar uma breja logo. Até mesmo numa segundona.

foto daqui

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sacanagem gostosa

- Sem dó, pode maltratar pessoal.
- O importante é a gente se divertir.
- Meteu lá dentro, comemora.
- Vamo tentar uma nova posição? Tipo inventar moda, mesmo.
- Vamo arregaçar, amigo!
- Entrar com bola e tudo é pouco hoje.
- Hoje pode humiliar, tá combinado?
- Quando tiver bem por cima, pode dar aquela risadinha, tá?
- É pra dar de lavada.
- Hoje vai ter judiação, certo?

Até agora eu to pensando qual foi o briefing que o técnico Dorival Júnior passou pros Meninos da Vila antes de entrar em campo ontem contra o Naviraiense pela Copa do Brasil. Se você não tá sabendo, veja aqui o massacre por 10 a zero e as criativas comemorações. Massacre não, digamos que foi uma sacanagem gostosa e inspiradora pra esse nosso futebol burrocrático de ultimamente.

Anywhere

Pode acontecer no supermercado, ou então no trabalho. Pode acontecer numa viagem, tipo assim na praia ou no meio do mato. Pode acontecer num estádio de futebol, entre gritos de gol. Pode acontecer de dia ou de noite, de segunda a segunda. Pode acontecer num bar ou num parque. Pode acontecer numa balada ou numa igreja. Pode acontecer em Cuba, em Aruba ou em São Miguel Paulista. Pode acontecer no sol ou na chuva, com nativo, com turista. Pode acontecer na febre ou na saúde, na beira do mar ou no vale do Anhangabaú. Pode acontecer com advogado, taxista, catador de latinhas ou senador. Pode acontecer com socialite, com manicure, com babá, com secretária. Pode acontecer comigo e com você.
Acontecer do celular tremer em qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer humor, recebendo um sms da sua operadora anunciando que "na nova promoção fale em dobro, você ganha o dobro de créditos pra falar".