terça-feira, 6 de abril de 2010

Amiga

Menina multilados, mas sempre com um norte invisível. Não dá para definir como é, o que é e nem como a gente a percebe. É meio como uma obra de Mondrian, cheia de traços e espaços preenchidos de ideias, porém sem nada quadrado. Simpatia com uns, cordialidade com todos. Sabe fingir que gosta e sabe gostar também, o que, por sinal, faz melhor. Pratica o gostar dos outros de uma forma maternal, às vezes demasiada. Um amigo pode se sentir um filho rapidamente, coisa que pode ser boa ou não, já que filho é chato, mimado e manhoso. Sim, me enquadro nessa categoria com alguma frequência. Mas se é mãe, é uma mãe sincera, aberta e com as opiniões muito, mas muito no lugar.

Aliás, isso vale um parágrafo novo. Os lados louca e sã (demais, até) dela convivem numa harmonia digna de condomínio de um condômino só. Transita do “mode crazy” pro “mode sane” numa fração de risada ou de desprezo. Os óculos que usa são apenas para enxergar de perto, já que visão de mundo, clareza e interligação dos fatos ela tem de sobra. Sobra tanto que às vezes até irrita o quanto ela percebe bem o mundo, os trejeitos das pessoas e o que é bom e ruim nelas.

Se precisa de óculos para ler textos, o mesmo não se pode dizer dela para ler pessoas. “Ler” pode envolver, claro, preconceitos e idéias pré formadas, mas ela tem um cazzo duma intuição, uma percepção além dos sentidos. Sim, é meio uma mistura de raio-x com thunder cats e a visão além do alcance, ela enxerga, e como enxerga, a maledetta!

Mas se por um lado enxerga, por outro deixa de enxergar. Quiçá por gostar demais, quiçá por não saber que nego monta, ela é muito mas muito bondosa demais e mesmo se dando mal, tendo problemas de convívio, tendo que repetir 30mil vezes a mesma coisa para alguém, ela continua ajudando e servindo incondicionalmente. Servir, esse é um verbo que combina demais com a moça. Serve demais e infelizmente é servida de menos, penso eu. Isso gera frustração? Claro que gera, mas não tanta quanto geraria em uma pessoa que espera abertamente as coisas em troca. A picachu é altruísta, meu rei. Às vezes, só o reconhecimento basta. Às vezes nem isso é necessário, porque ela sabe, no fundo dela, em algum lugar que nem ela sabe onde é, que fez o seu melhor. Que foi verdadeira, que foi ela mesma.

"E na bundinha, não vai nada?"

Recebi essa vaga de emprego:

A XXX é uma empresa de desenvolvimento web com mais de 12 anos de mercado. Buscamos profissionais com o seguinte perfil.

• Redator Requisito Imprescindível
• Dominar a escrita na língua portuguesa.
• Dominar a escrita para internet.
• Cursando superior nas áreas (Jornalismo, Publicidade, Marketing, Letras);
• Experiência como redator; Desejável
• Superior completo nas áreas (Jornalismo, Publicidade, Marketing, Letras);
• Conhecimento em Arquitetura da Informação;
• Conhecimento em Planejamento;
• Conhecimento em Edição de (Imagens, Vídeos e Som);
• Fluência em inglês;

E respondi o título desse post.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Montinho de gente querida

Nos últimos anos não me lembro de nenhum em que eu tenha ganhado tantos presentes. Livros, roupas, queijos, CDs, cadernos, castanhas, tequilas, e até vidro de pimenta especialmente preparada pela vovó. Mas foi num flash, no sábado à noite, brisa leve no terraço gostoso, naquele lugar improvável, cerveja na mão, que eu tive um estalo clichê. Os presentes ali não eram importantes, o importante era a presença de cada um. Esticar os olhos 360º e avistar grande parte das pessoas que você realmente quer bem é o grande privilégio. Todos soltos, se divertindo. Muitos eu não via e não se viam há tempos, estavam alegríssimos. É bom ser a desculpa para reuni-los. Melhor ainda é ver gente que nunca se conheceria, mas que têm algo a ver só que você não sabe o que é, e que ali, debaixo do teu teto, comendo os falafels que você inventou de fazer, ficam próximas, chegadas. Mesmo não levando um longo papo com ninguém, porque quem recebe não para, a sensação de saber e não saber mais ou menos o que tá rolando em todas as conversas é constante. Moral da história, ano após ano, o que importa são as pessoas importantes.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Juntos pra que?

Na quarta-feira, lá pelas 15hs juntou um monte de gente lá na Candelária, no centro do belíssimo e abençoado município de São Sebastião do Rio de Janeiro. Juntou povo como não se via desde os caras pintadas, mar de gente mesmo. Protesto brabo. Pra derrubar um presidente? Pra protestar contra a corrupção que exala dos poros de grande partes de nossos governantes (e do povo também) e que impede o país de caminhar de fato? Pra fazer cair um presidente do Senado Federal que tem um mar de denúncias contra si? Pra pedir paz? Pra pedir mais segurança e uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos com planejamento e estrutura?

Não. Foram lutar por seu dinheiro.

Foram protestar contra a emenda do deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que propunha dividir os royalties (valores que as empresas exploradoras pagam ao Governo Federal) de forma equitativa entre todos os estados da Nação. O Rio tem toda razão.

Desde 1992 não se via o povo nas ruas como na quarta-feira. Fico feliz de multidão reunida, anonimamente, gritando palavras de ordem e lutando pelo que é seu. O que incomoda é que isso só é feito quando mexem direto no bolso do povo, como foi o congelamento da poupança pelo Collor. Será que desde 92 não houve motivos para reunir uma multidão como essa para exigir atitudes?

Questões de ética, de paz, reivindicações por melhorias parecem ser desimportantes. Parece que o povo só sente poderoso quando quer, quando algum político afeta a parte mais sensível do corpo: o bolso. Deixando de lado e chutando pra escanteio a luta por aquilo que de fato é importante, o brasileiro dá um tiro no pé a longo prazo e agindo assim enterniza esse modo de agir.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre perdão e rancor

Um filme que trate de perdão, crime e rancor já é pesado por definição, no seu âmago, mesmo se você o fizer em desenho animado, vide Valsa com Bashir. Um roteiro que conte a morte de uma garota linda estuprada e assassinada por um assassino misterioso, então, pode ser um enredo perfeito para provocar os instintos e a paz de qualquer um. Por isso vale muito a pena assistir O Segredo dos seus Olhos, filme argentino que faturou Oscar de melhor filme estrangeiro semana passada. Certamente o melhor filme que vi em 2010. Torçamos apenas para que os hermanos ganhando essa estatueta tirem o cavalinho da chuva na busca pelo caneco na África do Sul.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amigos de primeira às segundas

Sabe quando você pensa numa pessoa, pensa em ligar ou mandar email, até acha um tempinho em que poderia ligar ou escrever, mas não faz nem uma coisa nem outra? Isso acontece cada vez mais nesse nosso dia a dia metido a exageradamente acelerado, mas no fundo talvez seja uma desculpa da pressa implacável para sermos os bons e velhos egoístas que sempre fomos. Daí no fim de uma segunda chata ou no começo de uma quarta-feira desanimadora a gente fica pensando que tá sozinho, que tá com saudades de fulano, que não vê ciclano há tempos, que poderia marcar um bar hoje à noite que não tem nada de importante. Mas não, a gente finge que não é com a gente e volta pra bolha.

Esse ano eu tinha me prometido que toda segunda eu ia tentar mandar um email ou ligar pra um amigo(a) que eu adoro, mas que está distante ou que nao falo faz tempo. É meu projeto amigo "Amigo de primeira às segundas-feiras". Sei que já chegamos em março, mas como o ano começa depois do carnaval, eu tô apenas um mesinho atrasado. Tudo isso isso pra falar que comecei hoje o projeto com uma amiga maravilhosa, divertida e que, se não morasse em Campinas, eu tentaria muito tomar uma breja logo. Até mesmo numa segundona.

foto daqui

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sacanagem gostosa

- Sem dó, pode maltratar pessoal.
- O importante é a gente se divertir.
- Meteu lá dentro, comemora.
- Vamo tentar uma nova posição? Tipo inventar moda, mesmo.
- Vamo arregaçar, amigo!
- Entrar com bola e tudo é pouco hoje.
- Hoje pode humiliar, tá combinado?
- Quando tiver bem por cima, pode dar aquela risadinha, tá?
- É pra dar de lavada.
- Hoje vai ter judiação, certo?

Até agora eu to pensando qual foi o briefing que o técnico Dorival Júnior passou pros Meninos da Vila antes de entrar em campo ontem contra o Naviraiense pela Copa do Brasil. Se você não tá sabendo, veja aqui o massacre por 10 a zero e as criativas comemorações. Massacre não, digamos que foi uma sacanagem gostosa e inspiradora pra esse nosso futebol burrocrático de ultimamente.

Anywhere

Pode acontecer no supermercado, ou então no trabalho. Pode acontecer numa viagem, tipo assim na praia ou no meio do mato. Pode acontecer num estádio de futebol, entre gritos de gol. Pode acontecer de dia ou de noite, de segunda a segunda. Pode acontecer num bar ou num parque. Pode acontecer numa balada ou numa igreja. Pode acontecer em Cuba, em Aruba ou em São Miguel Paulista. Pode acontecer no sol ou na chuva, com nativo, com turista. Pode acontecer na febre ou na saúde, na beira do mar ou no vale do Anhangabaú. Pode acontecer com advogado, taxista, catador de latinhas ou senador. Pode acontecer com socialite, com manicure, com babá, com secretária. Pode acontecer comigo e com você.
Acontecer do celular tremer em qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer humor, recebendo um sms da sua operadora anunciando que "na nova promoção fale em dobro, você ganha o dobro de créditos pra falar".

sexta-feira, 5 de março de 2010

A encharca ombros

- Desgraçado, aquele maldito. Bem que me falaram no começo, elas tinham razão. Cachorro, cachorro, feladaputa, aquele desgraçado! Por que eu, me explica? Por que??? Tava bom demais pra ser verdade, mas ele me paga o vagabundo. Sem vergonha, me paga! Eu mato aquele viado fiodumaégua! Ah se ele me aparece na minha frente, pode vir, pode vir que eu vou de facada naquele cuzão desonesto. Isso não se faz com ninguém, como é que eu pude cair nessa ladainha, me explica? Me explica!!! Você é meu amigo, não é? Tenho certeza que você não faria e nem nunca fez isso com ninguém, né Fe? Me jura que não! Me jura! Não dá pra acreditar na cara de pau desse idiota, não consigo nem me olhar no espelho, alguém me dá coragem!? Me dá!? Que que eu faço com esse traidor feladaputa? Mando matar ele, Fe? Tem uns caras lá da vizinhança daquela minha amiga lá que só precisam de um motivo, nem grana eles pedem, vou ligar pra ela. Quero vingança, não é justo, ele tem que pagar! Ele tem que pagar! Porra, pensa que é quem? Acha que nego veio pro mundo a passeio?! Acha que paixão é brincadeirinha, ah, como eu quero matar, como eu quero.

PS: Post de número 400 desse humilde diário não diário.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A zica do 4 março

- E daí que é 4 de março, vai dar merda, meu.
- Por que? Quem inventou essa zica foi, tatu.
- É científico: os dias 4 de março não gostam de mim.
- De onde você tirou isso?
- Já fui operado em 4 de março, já fui assaltado com arma na cabeça em 4 de março, já rompi relações ótimas em 4 de março, já quebrei o pé dia 4 de março, já tomei foras homéricos dia 4 de março, já internei minha mãe dia 4 de março, já...
- Para de viadagem, meu, tá acabando o dia e nada de graaave aconteceu.
- Mas dia 4 de março Dona Encrenca vem a galope. Anota o que eu te falando.
- Para de nhenhenhém, seu fresco do caralho.
- Você não conhece o dia 4 de março, não subestima ele...
- Esquece essa encanação e vai pra casa, daí amanhã você me conta.

Toca o celular.
Olhos param no visor.
- Vixe, olha só quem tá ligando.
Silêncio, olhos mais abertos que farol de fusca.
- Não disse que era 4 de março?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Comentários vagos e dispensáveis sobre filminhos do Oscar y otras cositas

A instigante Vera Farmiga pagando pau pro boa pinta Clooney

Produções da telona têm sido programa frequente nesses dias, com friozinho ou calorão, em que a preguiça me dá um mata leão aos finais de semana. O Oscar tá chegando aí no próximo domingo, dia 07/03 e eu só não vi Avatar ainda (não que tenha muita vontade, não). Enfim, quando não fui fagocitado pelo sofá, estive em salas sombrias da SP cinzenta (saudades, Homem Cinza) para conferir:

- Invictus
Filminho batuta pois conta um Mandela (interpretado com esmero por Morgan Freeman, quem mais? - Papel de presidente, diretor de escola e Deus, só dá ele, né?) que não conhecemos e que nunca ouvimos falar, um Nelson simpático e que enxergava no rugby uma forma de tentar unir um país rachado pelo Apartheid. Uma história que mostra o quanto um esporte pode funcionar como eixo de junção em um país completamente sequelado em termos de tolerância racial. Um esporte de burgueses, que concorre com o soccer dos pobres, é o pilar da película e a cola para juntar um povo disperso em ódio e descrença. Vale muito a pena pra tentar entender como um esporte cuja regra eu nunca entendi um cazzo consegue emocionar e arrepiar quase que no filme inteiro.

- Up in the Air (Amor sem Escalas)
Fraquinho, um pouco metido demais a analisar o comportamento pós moderno durante a última crise econômica, mas não é terrível. Não leva melhor filme nem a pau, Blumenau. George Clooney mostra que é bom, as usual, mas não é dessa vez também que fatura o bonequinho dourado. A mulher que faz par com ele, interpretada pela madura e sensual Vera Farmiga (indicada para atriz coadjuvante) é uma personagem très interessante e um dos pontos altos da pseudo-comédia-romântica-crítica-desse-mundo-louco-em-que-vivemos.

- A Serious Man (Um Homem Sério)
Primeiramente vale dizer que é um dos únicos filmes dos últimos tempos que teve tradução do nome literal, sem parecer concurso de piada de tradutores. Ainda tenho uma teoria que existe uma comissão de tradutores de nome de filmes que fazem campeonato pra ver que bola a versão mais tosca do nome original, sendo a pior ideia automaticamente a vencedora.
Enfim, o novo filme dos irmãos Cohen é muito bom, pode papar o Oscar de melhor produção sim. Focado no exagero dos traços dos personagens, a película procura mergulhar, nem tão fundo assim, no universo judaico de uma pequena cidade yankee. Um professor de física vê seu mundinho desabar quando se dá conta de que a mulher quer o divórcio, o filho de 13 anos é rebelde e maconheiro, a filha rouba dinheiro dele e o irmão é um fracassado. Daí ele, cético e pé atrás com a religião, corre atrás dos pitacos de três rabinos para se aconselhar. O rabino júnior tem uma cena só, mas a rouba de modo que você fica rindo dele até o final. Preste atenção.

- The Hurt Locker (Guerra ao Terror)
Disparado o mais tenso que eu vi nos últimos tempos. Pá, te prende, vixe, não dá pra pregar o olho, não. Pode ganhar melhor filme pelo impacto político que tem ao colocar o foco sobre os profissionais cuja tarefa (ingrata ou recompensadora?) é desarmar bombas no conflito do Iraque. O ator Jeremy Renner tem potencial pra arrancar a estatueta das mãos de Mr.Freeman, fiquemos de olho.

- Os Inquilinos (Os incomodados que se mudem)
Filminho nacional que não vai a Oscar nenhum, pero un poquito metido a suspense tensão mas que não convence muito. Sergio Bianchi já fez sua obra prima em Cronicamente Inviável (2000) e ficou muito longe dela dessa vez. O bom Marat Descartes interpreta Valter, que junto com a mulher, vivida por Ana Carbatti, é confrontado com o comportamento turbulento dos novos moradores e entram num clima de paranóia. Só isso mesmo, não empolgou muito, né?

terça-feira, 2 de março de 2010

Guerra besta

Ir no estádio como torcida adversária no Brasil é mais perigoso do que saltar de paraquedas. Acompanhe o raciocínio: são liberados cerca de 10% dos ingressos para o time visitante e que nenhum estádio brasileiro comporta hoje mais do que 100 mil pessoas, sua chance de estar ali é de 1 em 10 mil no máximo. Já a estatística de panes de paraquedas é de uma pra cada 15 mil saltos, sendo que acidentes com risco de morte são menos de 3 por ano no Brasil. Porém, num estádio ou nas cercanias, no meio de uma batalha campal, suas chances de tomar uma pedrada, paulada, ou um simples tiro é cada vez maior. Sem hipocrisia, me sinto mais seguro numa porta de avião a 12 mil pés.

Estava já dentro do Palestra Itália na semana passada quando meu amigo chegou atrasado contando que viu um cara sem camisa meio morto no Av. Antártica todo sangrando. Pelo que acompanhei posteriormente, ele não deve ter morrido, já que a única vítima fatal foi um palmeirense do interior matado no posto Lago Azul da Rodovia dos Bandeirantes. Mas isso não importa, estádio é lugar de ir ver e apoiar seu time, não de morrer por ele.

Pra que olhar o adversário como um inimigo só porque ele gosta de verde e eu não? Não dá para aceitar alguém que não é igual a você possa ter os mesmo direitos que você? E o pior é que esses caras que saem de casa pra guerra devem ter algum amigo ou familiar que torcem pro time que eles querem trucidar. Não há respeito ao adversário, parece que só enxergam a aniquilação do oponente. A luta simbólica do campo migra para o coração desse vândalo, travestido de torcedor, que não visa mais apoiar seu time, mas usá-lo de desculpa para descarregar suas raivas, angústias e adrenalina. Pra isso eu prefiro paraquedismo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

The big black cloud

Primeiro foi o joelho que deu pau, depois a greve de transportes em Arequipa que nos deixou travados, mau-humorados e loucos para sair de lá o mais rápido possível, na sequência veio a chuvarada em Cusco e o fechamento da Trilha Inca com deslizamentos e mortes pelo caminho (vou contar aqui mais pra frente), na volta rebaixei a Leandro de Itaquera (ver abaixo) com meu molejo hereditário, daí já emendei com uma ida frustrada e assustadora ao Chiqueirão onde meu tricolor perdeu pro fraco time da casa e onde (detalhe bobo, magina) morreu um cara, na sequência plantão a semana inteira até altas horas da madruga, resfriado, depois o computador lá de casa quebrou na minha mão, e pra coroar tive armas apontada para mim duas vezes na última semana, sendo a última com aquelas miras laser da SWAT, sabe?

Indicações de benzedeiras para: felipemortara@gmail.com

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Das coisas intensas da vida

Entrar no Anhembi e ir pra concentração. Estacionamento não tão cheio de carros, mas de cores. Cada componente é uma célula, procurando sua ala para forma uma espécie de órgão respirante e mutante. Que saudade desse respirar. Encontrar amigos, escutar e afinar o enredo. Cerveja, duas por cinco. Amigos vestidos de gari, prosa. Nossa fantasia vem com um camarada chamado Medonha, sim, ele mesmo, da velha-guarda da escola. Queria porque queria que a gente saísse de terno branco e chapéuzinho, junto com os senhores e senhoras da vermelho e branco.
Não, obrigado, não merecemos tal manto.

É tudo improvisado, é, mas vamos de Iansã e Xangô, protetor fiel, fantasia grande e emperequetada. Estalam os cavacos, tamborim assovia dilacerante, não dá mais pra voltar. Linha amarela, começa o desfile, enredo, improviso na ponta da língua. Os refrões saem como se os cantasse desde pequeno. Ela sorri, é o que importa, não queria estar em nenhum outro lugar do mundo, todos sorriem, mãos dadas. Êxatase é entoar o canto em coro e não ser mais, ser pura e simplesmente aquilo tudo. A testeira amassando as têmporas e nem sombra de uma dor de cabeça. É ver o povo não cantando o seu enredo, pois sua escola não é a mais popular, mas sequer cogitar desanimar. São 500 metros da mais pura felicidade, diria um cientista menos cético.

Sim, minha escola foi rebaixada, e sim eu dou risada das piadas. Eu mesmo as faço. Sim, eu não levo isso tão a sério. Sim, eu não passei o ano inteiro montando o desfile. Sim, eu quero participar da ascensão ano que vem. E sim, vou decorar muito mais do que os refrões. E sim, eu quero ver a escola ser campeã.

Ah, e se você não sabe quem é o tiozinho fantasiado de Wally aí em cima, ele é simplesmente o nome da escola em carne e osso. Ou melhor, barriga e sorriso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Às espontâneas


Pensou em fazer alguma coisa, parou pra pensar, pensou direito, e desistiu. Normal, né, a gente faz isso o tempo todo. Pensou em xingar aquele cara da fechada lá no próximo farol, mas pensou que se pá ele tem uma quadrada e manda você redondamente pro caixão. Ou talvez tenha pensado em mandar o chefe à merda, mas lembrou que é ele quem garante o leite dos seus filhos. Quem sabe tenha arriscado cogitar convidar aquela pessoa mais que interessante prum get2gether, mas o frio na barriga e o medo do implacável (porém nada mortal) "não" o tenha impedido.

O medo parece que trava a gente, mas também pode alimentar. Não é sobre medo que essse texto fala, mas sobre a capacidade que o instinto tem de superar ou até mesmo de simplesmente ignorar o medo. A coisa feita por impulso pode caminhar pro fiasco, normalmente o improviso em coisas sérias tende a isso. Mas na balança, as coisas espontâneas tendem a ganhar grande valor por sua autenticidade. Parece que quanto menos programadas, menos previsíveis e mais originais são. É coisa que vem de dentro.

Resolver que vai fazer a viagem da vida numa segunda-feira cinzenta. Decidir que, se gosta tanto de cantar, vai gravar um disco. Ou ainda se gosta de velejar, programar-se para subir a costa brasileira inteira a bordo de um veleiro. Se é do pedal, fechar uma longa jornada de bike. Se é das alianças, resolver que vai colocar uma criaturinha no mundo. É da turma dos apaixonados e achou o par da vida? Ótimo, eu tô falando do dia que você resolveu pedir a mão dela, com todo o clichê que a ocasião pede. É do momento do estalo que eu to falando.

Aquela hora em que o corpo vai porque a mente já foi. O espontâneo é mais que orginal, é puro, visceral. O espontâneo tem sempre um preço, mas que no auge do estalo sempre parece compensar. Em cinco minutos escrevi isso aqui, não sabia nem que escreveria hoje. Espontâneo, puro, visceral? Sei lá, eu precisava. Digamos que estou no auge de um delicioso estalo, que só posso contar quando (e se) tudo der certo. Mas vamos combinar: o que o entusiasmo não faz, hein?

(Foto daqui)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quase começando


"A man travels the world over in search of what he needs and returns home to find it."
George Moore

Dizem, e eu acredito, que o ano só começa depois do Carnaval. Ou seja, tá pra começar já na quarta-feira. Ao contrário do que clama a canção Felicidade, tudo não se acaba na quarta-feira. Pelo contrário, o ano começa é logo depois do meio dia. Nem branco nem preto, como o samba, o ano nasce cinza, numa sutil mistura dos dois. Branco de paz, preto de luto, cinza de tédio. Mas com a certeza de que se colorirá em pouco tempo, assim como esse blog, que volta a cantar, perguntar, resmungar, escutar, sambar (por que não?) e outros ares por aí.
Feel so good to be back.

domingo, 27 de dezembro de 2009

2009, o ano em que

# Aprendi a cortar a unha do pé sem encravar.

# O Sarney balançou, mas não caiu, claro. Já o Caetano e o Dinho Ouro Preto...

# Michael nem balançou nos shows que tinha programado, só que caiu, assassinado, deixando como legado um filminho mixuruco. E um monte de covers que vão ter que concorrer com os do Elvis, esses há muito mais tempo no mercado.

# Rubinho quase matou o Massa sem querer. E quase foi vice, mas sendo o retrato fiel de nossa pátria, ficou só no quase.

# Obama veio com tudo, o mundo inteiro esperava.... E, pelo jeito, vai continuar esperando. Mas a reforma de saúde já veio, agora só falta a reforma metas de emissão de gases, tá quase ali ó.

# Ahmadinejad fingiu que enganou todo mundo nas eleições iranianas. E o mundo fingiu que acreditou, calado, numa nice. Menos o Lula, que acha ele uma simpatia. Tem cara de petista, repara bem.

# Bush não apareceu em nenhuma manchete de jornal que tenha me marcado, só que escalou um agente da CIA pra tacar um sapato no tal jornalista iraquiano, e nego da SWAT não erra, óbvio.

# O Fla saiu da zona de rebaixamento para conquistar um título mais que merecido. Adriano descobriu que não tem milhões de euro que paguem cerveja, churrasco, mulher e sambinha na Vila Cruzeiro com a malandragem. O Brasil descobriu que reciclar Pet é a melhor escolha. Definitivamente o craque do campeonato.

# Apertei a mão do Kassab mais vezes do que a dos meus tios queridos.

# O Lula mostrou que é "O Cara" de fato, já que mesmo não preparando nada de coerente pra mostrar ou propor em Copenhague conseguiu fazer todo mundo chorar com seu discurso. E eu até acredito que ele mal dorme por causa do desmatamento na Amazônia. Aham.

# Collor fez Pedro Simon e a pátria calarem-se e engolirem arrependidamente suas palavras. A digestão fica por conta de cada um.

# Vi o mar apenas duas vezes. Nem uma wave eu surfei, nem no Google Wave, que aliás nem eu nem nenhum asno que eu conheço entendeu. Talvez seja em 2010 o que o Twitter foi em 2009.

# Por falar em Twitter, putcha que la miséria, como nego perdeu tempo nessa droga, me incluo também. E se em 2010 a gente tentar falir o Twitter, mesmo que ele aparentemente não tenha fins lucrativos. Desliga o Twitter e vá ler um livro!

# O Rio ganhou o direito de realizar um fiasco em 2016, e o País inteiro fez piada. Mas na hora do Robin Williams zoar, ele não tem direito. Quer prova maior de que temos um belo espírito esportivo?

# O apagão rola no mesmo mês em que resolvemos acender todas as luzinhas de natal pra chamar o bom velhinho. Tô começando a achar que apagões podem ser a nova mania nacional. Reparemos nos índices de natalidade daqui 9 meses.

# Manuel Zelaya virou recordista mundial de permanência do Couch Surfing Project. E ainda por cima inaugurou a inédita categoria "sofás de embaixadas".

# A gripe suína me fez passar ácool gel na mão. (E ficar viciado.) E pitnou como a irmã invernal da dengue, que andava tão solitária e triste como única peste anual sazonal.

# Uma pá de gênios se foram e o TDUD vai ter que suar a calcinha pra ter assunto em 2010.
RIP Clô, Patrick Swayze, Lévi-Strauss (tem hífen, ou foi reformado também?), Leila Lopes, Mercedes Sosa, Celso Pitta (tu nunca me enganou), Andréia Albertini, Hélio Gracie e Lombardi.

# O Supremo derrubou a Lei de Imprensa, mas manteve a censura sobre o Estadão. Faz sentido, seu Gilmar?

# Por falar em Gilmar Mendes, o chefe da polícia pelo telefone mandou avisar que lá na Praça XV tem uma roleta para se jogar. Chama o Ministro Joaquim Barbosa e vão pra lá bater boca longe dos olhos da nação, que adoraria vos respeitar.

# 40 anos da chegada do Homem à Lua. E daí?

# 20 anos da queda do Muro. Recomendo uma passeada por lá. Minha cidade preferida no mundo hoje.

# Dois concorrentes com QI<20 concorrem à frase mais genial proferida. "Esse é irmão desse" e "Tamo junto, Cazuza!", do gênio Theo Becker (esse gooosta) concorrem com "Ronaldo, brilha muito nu curintia", do gênio Zina. Por sinal, você já pensou que par ele faria com a Geisy Arruda??? Os dois não são tipo carregador e celular? Tipo bêbado e sal de fruta? Ou tremoço e cerveja?

# Eu vi o espetáculo ao ar livre mais lindo da vida no Anhangabaú, com o grupo Les Plasticiens Volants e contei tudo aqui.

# A Maysa quase destronou a Hebe, que acionou o Ministério Público, que proibiu a pequenina de ser mascote do SS.

# Ronaldo brilhou demais mesmo, começou derrubando alambrado e terminou o ano esperando Roberto Carlos chegar pra estrelarem a mini série "Quarentinha" durante a provável curta participação de seu clube na Libertadores.

# Decidi que continuarei voando Air France e com qualquer outra companhia. Melhor morrer assim do que sotterado em obra do metrô.

# A Jamaica produz verdinho e tem o Usain Bolt. Nós produzimos a branquinha e temos o Bolt das piscinas, Cesar Cielo.

# Um pai de Goiânia inventou uma fábula, dessas tipo 11/09, que Hollywood jamais imaginou. Brilhante, ele tretou com a mulher, jogou-a pra fora do carro (em alta velocidade, lógico) e rumou para um aeroclube com a filha de 5 anos a bordo. Fingiu que queria alugar um avião, deu uma engambelada no piloto, jogando-o pra fora da aeronave ao seu estilo já mencionado acima, e decolou. Deu vários rasantes pela cidade e esborrachou o monomotor no estacionamento de um shopping. Sim, ele decolou o avião e sobrevoou a cidade por mais de uma hora, mas não me pergunte como. Uma dica: Goiânia é a filial brazuca de Hollywood, lembra do caso do Césio 137?

# Também teve aquele piloto que fez um pouso cinematográfico no rio Hudson em Nova York, salvando todos a bordo. Esse dorme bem toda noite.

# Não passou batido no cinema porque teve estréias de Tarantino e Almodóvar, assim como O Leitor, Os Amantes e Benvindo, este sim, lindo de morrer.

# No quesito show, só o do AC/DC valeu a pena. O resto, nem fui e nem gostei. Ah, tirando o do Robertão, nem quis ir em mais nenhum, não.

# A Sadia comeu o chester da Perdigão. E o Abilião não dormiu no Ponto (Frio) e nem em nenhuma de suas Casas (Bahia). (ok, essa foi péssima...)

# Berlusconi foi considerado pela Rolling Stone italiana o "rock star do ano". Realmente, mansão com putas e farinha na Sardenha, caso com groupie de 18 anos, achar que vítima de terremoto tem que acampar que nem hippies em Woodstock e apanhar de fã demente é digno de quem vive like a rolling stone.

# Os passageiros de fretados se ferraram, e a cidade também.

# Teve guerra na USP e em Heliópolis e eu perdi oportunidades de estrear no jornalismo de guerra sem ter que ir à Africa ou aos Balcãs.

# Cumpri parte de uma das minhas promessas pra 2009 e fui aprender a sacolejar o esqueleto em gafieiras e salões de forró Brasil afora. Não, não parei de pisar em pés.

# Espero que até a virada do ano eu tenha feito uma lista coesa de promessas incumpríveis para 2010.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pessoas Alpha FM

Sabe aquela pessoa que tava lá, mas não tava? É, aquele cara que sempre tá nas rodas, mas não tá. Um que pode ser aquele que concorda com tudo e todos, que não diz um não. Nem fede nem cheira, não sobre nem desce, nem nada. É a pessoa Alpha FM. Bem música de elevador, que tá ali, mas você nem lembra depois. E às vezes nem durante. De cabeça consigo lembrar de uma meia dúzia de pessoas assim. Inclusive algumas que viajaram junto e eu mal recordo delas presentes em momentos importantes.

Um cara que tanto faz, sabe? Se tava lá, ótimo, se não tava, tá beleza também. Tipo cerveja em festa que já tá tudo liberado mesmo, legal, mas nem precisava...
Certeza que você conhece alguém assim, não?

Pra 2010, se você é meio Alpha FM, espero que seja mais Eldorado, talvez, ou quem até Oi, mas sem ter que mandar sms pra saber nome de música, porque daí você vai de invisível a chato num instante.

PS: Entre lá no site da Alpha FM e veja com seus próprios olhos como até o site é sem sal e emana o DNA da rádio

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lula homologou a merda

A merda passou a vida inteira reprimida, calada e acuada. Apesar de convivermos quase que diariamente com ela do ponto de vista fisiológico, (claro que se você é dos que tomam Activia isso deve ocorrer com maior frequência) em algum lugar inventou-se que, como idéia e força de expressão, ela era vulgar, bruta, quase uma Geni. Só que dia desses o gênio Molusco Mor, num discurso no Nordeste, afirmou sem hesitar que ia "tirar o povo da merda" e assim, a tão excluída palavra saiu dos calabouços do linguajar popular para as manchetes de todos os diários. Agora ela, que era maquiada por ícones como #, %, *, & e !, está livre, leve e solta, assim como o Arruda, um governador de merda.

Lembrando disso me veio essa enunciação que algum gênio desconhecido proporcionou à Humanidade, e que eu escutei em algum lugar em mp3 e depois achei escrita em algum site por aí. Bom fim de semana, seu desocupado!


A palavra MERDA pode mesmo ser considerada um coringa da língua
portuguesa.

Exemplos:

Como indicação geográfica 1 :
Onde fica essa merda?

Como indicação geográfica 2 :
Vá a merda!

Como indicação geográfica 3 :
18:00h : vou embora dessa merda..

Como substantivo qualificativo:
Você é um merda!

Como auxiliar quantitativo:
Trabalho pra caramba e não ganho merda nenhuma!

Como indicador de especialização profissional :
Ele só faz merda.

Como indicativo de MBA :
Ele faz MUITA merda.

Como sinônimo de covarde:
Seu MERDA !

Como questionamento dirigido:
Fez merda, né ?

Como indicador visual:
Não se enxerga merda nenhuma!

Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:
Porque você não vai a merda?

Como especulação de conhecimento e surpresa:
Que merda é essa?

Como constatação da situação financeira de um indivíduo:
Ele está na merda...

Como indicador de ressentimento natalino:
Não ganhei merda nenhuma de presente!

Como indicador de admiração:
Puta Merda !!

Como indicador de rejeição :
Puta Merda !!!!

Como indicador de espécie :
O que esse merda pensa que é ??

Como indicador de continuidade :
Na mesma merda de sempre.

Como indicador de desordem:
Tá tudo uma merda!

Como constatação científica dos resultados da alquimia :
Tudo o que ele toca vira merda!

Como resultado aplicativo :
Deu merda.

Como indicador de performance esportiva :
O Flamengo, o Grêmio, o Palmeiras, o Fluminense, o Corinthians e o Vasco, não estão jogando merda nenhuma!!!

Como constatação negativa :
Que merda !!!!

Como classificação literária:
Êta textinho de merda

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O autor é desconhecido...eu não escrevi essa merda não... hehe

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma experência

Leia esse post à noite. Concentre-se .

Bocejo.
Preguiça.

Preguiça.
Bocejo.

Aaaaai, que sono.
Bocejo.

Preguiça.
Leseira.

Bocejo.
Bocejo.

Bocejo.
Preguiça.

Bocejo.
Bocejo.

> E aí, deu uma bocejadinha, pelo menos?
O D2 vai buscando a tal batida perfeita enquanto continuo na minha eterna busca pela fábrica interna de bocejos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre honestidade e AC/DC


Soaram os primeiros acordes ali naquele Morumbi. Meu, se você não tava lá eu sinto muito, foi algo tão ducaralho, mas tão ducaralho que eu vou passar os próximos anos falando que nunca ninguém foi tão honesto comigo quanto o Angus Young e sua turma naquele 27 de novembro.

Honesto é palavra, porque honesta foi a oferta de serviço deles. Sejamos bestamente didáticos: ofereceram-se para tocar seus maiores hits, colecionados em quase 40 anos de estrada, que não são poucos e muito menos ruins. Colocaram seu preço (tenha certeza que a nossa carteirinha de estudante 171 praticamente faz dobrar o preço dos tickets no Brasil) e quem achou que tal soma (de 75 a 250 reais, com carteirinha 171, claro) valeria a pena, simplesmente pagou pra ver.

70 mil consumidores (fã é muito emocional para um texto tão pragmático) desembolsaram seus cobres por aqueles papeizinhos que dariam acesso aos setores. Interessante o ato de comprar ingresso para um show, porque é um produto de consumo invisível, não intrínseco, diferente de um tênis, por exemplo, que você vai ali, esolhe e leva. Um show é mais ou menos como num restaurante, você pede o prato e depois espera pra ver o que vai vir. Claro que usamos referências e gostos pra pedir o tal prato, assim como geralmente não vamos a show de algum artista completamente desconhecido, no escuro. Claro que alguns gostam de experiências excêntricas e de experimentar coisas novas, sejam sons ou sabores.

Qualquer pessoa que esteja pagando tem noção (ou deveria) do quanto custou o dinheiro (em suor) e do quanto está custando o serviço ou produto oferecido. Tem coisa que realmente não compensa, que não entrega. Bancar o jeans mais caro e ele rasgar, esgarçar ou ficar inutilizável depois de pouco tempo. Ou comprar um carro que enguiça logo nos primeiros quilômetros. Você pagou por um produto que não retribui o investimento. Frustração misturada com sentimento de enganação, tipo corno.

Mas te digo que poucas vezes me senti tão bem tratado pelo produto/serviço pelo qual paguei. AC/DC é um show de honestidade do começo ao fim. Telão nítido como eu nunca vi, palco imenso como eu nunca vi (do U2 era maior?) e entretenimento estupidamente bem feito. Parecia criança pirando com as milhares de tiaras de chifrinho piscando pelo estádio, com os rojões que estouravam ritmados com o beat. E a qualidade do som? Só aí já valeu o ingresso. Ver seu irmão caçula entrar num estádio pela primeira vez e ter um presente de aniversário que ele nunca mais vai esquecer é sem preço. (Olhou pra pista, arregalou os olhos e perguntou, incrédulo: "isso tudo é gente?") Não tem jeito, para proporcionar uma satisfação desse naipe, só com muita honestidade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A risada mais gostosa do mundo

Ela ri e não é para não chorar. Brinda o mundo com espasmos tão espontâneos que contagia até os mais céticos. Pode estar feliz, como sempre a vejo. Ou chorando, como poucas vezes presenciei. Sabe quando os olhos de alguém fazem festa ao te ver? Ou ao te contar uma história em que se envolveu, de corpo e alma, pra variar. Pode ser irritante alguém que consegue rir de coração, com o coração, sem esforço. Não se trata de bobismo, alguém que só sabe sorrir. Eis a diferença entre o riso e o sorriso, o sorriso pode até ficar ali, estampado, tal qual um rabisco numa carteira. O riso é efêmero, um sopro. Você sente quando é de verdade. Gargalhada transparente; contagiosa como um bocejo num final de tarde num transporte coletivo. Verdadeira aula para quem sorri e não mostra os dentes; pra quem está ali mas não está.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Gênios deveriam ter imunidade

Os caras que tiraram 20 milhões de reais daquela transportadora na Lapa, no domingo passado, seriam absolvidos no meu reino. Sim, qualquer pessoa com bom senso, senso de humor e vivendo num mundo cretino desses sabe que conseguir arquitetar um plano desses nos dias de hoje sem ninguém vazar nada durante meses é tarefa para poucos.

Em tempos de comunicação veloz, de tudo agora pra ontem, de privacidade beirando os índices de crescimento dos países europeus em 2009, eu acharia completamente plausível a notícia de que um bando foi preso enquanto cavava um túnel. Normalmente é assim que funciona. Os empresários de transportadoras, seguradoras e banqueiros financiam uma espécie de "fundo de incentivo" para que policiais supostamente evitem esses desaparecimentos súbitos. Ainda bem que nem sempre é assim.

Quando a super rede de meganhas falha, a coisa fica mais divertida para nós, simples espectadores. Quem é que não imaginou as cenas cinematográficas que aconteceram no último domingo, enquanto o país inteiro, inclusive os porteiros da firma (óbvio) torcia inquieto por seu time preferido. É quase como o roubo do "Onze Homens e um Segredo", que acontece durante uma grande luta de boxe em Las Vegas. Haja espirituosidade!

Mas a batata dos “tatus cover” começou a assar porque a turma da bufunfa tomou um preju e duplicou a recompensa pros tiras (já reparou que ninguém, além da Rede Globo chama puliça de ‘tira’?), que dali dois dias já tinham achado a turma que ficou com o troco. Mas a chefia, nada, ainda bem.

Queria aproveitar a humilde abrangência global deste blog para deixar um salve para os artistas engenhosos que fizeram a fantástica instalação da Lapa:

Caro amigo, você que rapou a bolada, boa sorte. Quem sabe não sobra um troco pelas dicas que eu quero te dar. Cara, a primeira: Run, Forest, run! Some daqui, não fica pelo Capão nem pela Brasilândia, descubra uma cidade e a batize com um nome novo, crie um ponto novo no mapa. De preferência fuja do Google, porque se vacilar só um pouquinho ele já te acha.

Troque o dinheiro aos poucos, enterre o resto num lugar em que você jamais pensaria, porque os banqueiros vão pensar. Se tiver um esquema de jatinho agilizado, parta sem hesitar rumo ao estrangeiro tipo Paraguai ou Bolívia, se é que podemos chamar isso de exterior. Consulte o melhor plástico que o mercado negro puder providenciar, mas cuidado: não peça indicação ao Abadia!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Espanta mesmo mau olhado?

Sabe aquele sobrenome seu que quase ninguém conhece? Aquele que sempre pareceu fazer só massa na linha do RG, mas que no fundo você gosta? Ou não. Às vezes é aquilo que você pretende esconder. Se você tinha avós que seus pais decidiram homenagear, certeza que você tem vergonha. Por exemplo: Renata Carolina. Você pode passar anos chamando sua amiga de Rê, Rezinha, Renes (como eu chamei) e nem sequer imaginar que ela esconde um "Carol" no meio daquilo.

A nomenclatura invisível pode ser também do tipo que não encoberta pela força daqueles nomes que ficam no meio, como Ayrton Senna da Silva ou Ascelino Popó Freitas. Mas a gente é tudo normal demais, voltemos pro chão. Ou simplesmente a ocultação sintética do sobrenome, quando um apelido deleta automaticamente o nome real e os eventuais sobrenomes escondidos. Assim sagraram-se Xuxa, Lula e Pelé, sendo este último uma entidade quase esquisofrênica, entre o Edson e o Pelé, entre o Arantes e o Nascimento.

E tem aquele sobrenome que você pode ter um carinho e orgulho imensos, mas que num determinado contexto pode queimar filme. A tradição, as histórias, as glórias familiares não ficam ao alcance da simples pronúncia quando alguém vai parar na mídia negativamente carregando o mesmo sobrenome que você.

E você deve ter chegado até essa linha pensando "pra que isso tudo?" Talvez seja só pra desabafar que em 15 dias Geisy e José Roberto me fizeram ter vergonha do meu sobrenome mais anônimo, mas não menos querido. E provaram que não tira mau olhado coisíssima nenhuma. Pelo contrário, até.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Desistir jamais

Nada como começar um mea culpa com frase de efeito em sentido oposto. É arte política manjada essa da retórica, ando bem abastecido, confesso. Não é minha vontade que me mantém longe daqui, é a obrigação de cumprir com meus deveres àquele que me paga, você, munícipe. Não deixemos os nossos valores de lado, o que acreditamos, nossos objetivos. Que seja louvada sempre a nobreza do ato de escrever, que seja sempre devidamente valorizado. Devemos sempre incentivar, priorizar e focar a escrita como forma de expressão libertadora e expansiva.

E blábláblá. Sim, uma semana sem atualizar é quase um recorde.

PS: Como eu tenho o que contar, prosa pra soltar. Ô se tenho. Ah, se meu chefe soubesse que tenho trabalhado tanto que isso aqui está, há uma semana, mais quieto que conferência de LIBRAS.