quarta-feira, 13 de abril de 2011
Cortiça em branco
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Além da vida

A tragédia virou História, que virou livro(s), que virou inspiração para diversos filmes. A queda do avião da Força Aérea Uruguaia nos Andes chilenos, em outubro de 1972, com 49 civis a bordo ficou marcada como uma das histórias de sobrevivência mais épicas da história. Se não a mais marcante, com certeza a mais polêmica, já que os 16 sobreviventes chegaram vivos ao cabo de 72 apenas comendo restos dos companheiros mortos.
Não é um livro que conta aquele canibalismo triste, dolorido, e imprescindível para seguir resistindo. Aborda a relação entre vida e morte com coragem, pois esta é fruto da sinceridade e transparência pois A Sociedade da Neve foi o primeiro livro com depoimentos escritos por cada um dos homens que voltaram para esta sociedade aqui. Esta sociedade confortável, que vai entrar no seu carro e ligar o ar condicionado, ou então a calefação com a temperatura despencar um pouco.
Passar noites a -30°C por mais de dois meses num abrigo precário feito com os restos da fuselagem, não ter nenhuma possibilidade de se alimentar com nada que não seja carne de cadáveres, enfrentar sem nenhuma estrutura fraturas e outros graves ferimentos. Essas foram algumas das encrencas que os homens lá em cima tiveram de lidar, e fica claro logo nas primeiras páginas que comer carne dos companheiros é algo com que lidavam naturalmente e até em tom de heroísmo, por dar ao morto o poder sem preço de perpetuar a vida dos companheiros.
Não penso que faria diferente, talvez sequer sobreviveria. Mas a obra trata de entender por diversos ângulos o que estar vivo e o que é estar morto, já que os 29 passageiros que inicialmente sobreviveram à queda foram dados como mortos cerca de 5 dias depois do acidente.
A Sociedade é uma explicação de como laços sólidos são formados, como se cria um apego fora do normal com pessoas que nunca se tinha visto. Como a vida do seu companheiro se torna inexplicavelmente mais importante que a sua e que essa troca mútua permite, de forma muitas vezes surrealista, que um não perca a esperança em ver o outro vivo e voltando aos braços da família. Faz ver sentido onde não tinha nada.
Livro bom pra chorar, e principalmente, excelente para sorrir.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Improdução
Mais que nada, fiz o básico para não fazer mais do que o necessário.
Depois, listei o necessário, para que fosse feito o mais devagar possível.
Necessariamente perdi tempo, mas não necessitei de ajuda.
Sei ser desnecessário sozinho, desnecessistar de uma mão.
E necessito de ideias e de palavras, até o momento,
Ainda bem,
Em que se tornam desnecessárias.
domingo, 20 de março de 2011
Desorganizando eu posso me organizar
Encontrei com o que eu era ontem. E anteontem, há muitos anos, e sempre. Dei de cara comigo mesmo naquele monte de coisas que acumulei por toda a vida. Não mexia naqueles armários e gavetas ha uns 15 anos, retirei 5 sacos de 100 litros no total, 3 foram para o lixo, 2 para doação. Carrinhos, suvenirs, fotos, livros, diários de viagem, bilhetes e outras milongas. E foi vindo coisa, lembrança.
Veio cartão de visita de político picareta, broche de NY, camiseta da sexta série assinada (com xingamentos e tudo!), pilha velha. Roupinha de quando eu era bebê, faca de mergulho, livro de auto ajuda, disco de hockey. Ou quem diria que eu reveria aquele pingente que eu ganhei de alguém que foi importante? Um rótulo de cerveja que lembra uma noite incrível, um livrinho de piadas do Ary Toledo. Miniaturas de torres, Eiffel e Pisa.
Mini coleção de foto 3x4 de gente que eu não faço nem ideia do que está fazendo da vida. Mas que foi especial. Letras de música que eu copiei, letras de música que eu inventei, letras de música que eu rasguei, mas não tive coragem de jogar fora. Estojo de aquarela, manuais de instrução, credenciais esquecidas de eventos inesquecíveis.
Carteirinha de estudante/passe de ônibus de 2002, e a de 1998 e a de 1999 também. Apostila de cursos de formação em esportes perigosos, livro com foto de todos do colégio, caneca com a Union Jack que eu não faço a menor ideia de como veio parar aqui.
Disquetes com toda minha (pouca) produção intelecutal até 2005. Radiografias, bolos delas, não sei como posso ter quebrado tanto osso. National Geographics antigas e lindas, colares e pedrinhas que ganhei de presente. Playboy da Feiticeira autografada.
Apareceu Nevermind do Nirvana, em k7, comprada no Hotel Taj Mahal em Mumbai (aquele que em 2008 foi invadido por atiradores, lembra?). Achei também muita coisa que não faz mais parte de mim. E só guardei o que valerá a pena lembrar na próxima arrumação.
terça-feira, 15 de março de 2011
Desconcertando-se
Fazer um filme sobre frustração sem ser triste e tratar o arrependimento sem colocar o roteiro todo na fossa. Tarefa difícil, quiçá inusitada. E um roteiro sobre música clássica tenderia ainda mais a cair pelo caminho dos violinos chorosos. O Concerto conseguiu tocar em tudo isso, só que indo no contra tempo dessa métrica melancólica.
Um maestro, o mais genial deles, foi afastado de suas funções e trabalha como faxineiro do teatro Bolshoi de Moscou. Mas a música, especialmente a obra de Tchaikovsky o persegue, desde quando há 30 anos ele foi impedido de reger a orquestra no meio de um concerto por ter integrantes judeus, perseguidos pelo partido comunista.
Ao final de um triste dia de trabalho pesado, um fax endereçado ao atual diretor do Bolshoi é interceptado pelo ex-maestro antes de chegar ao seu destinatário. Um convite para se apresentar no esplêndido Teatro Chatelêt, em Paris. E num estalo ele resolve reunir seus componentes de três décadas atrás e levar 53 músicos substitutos para concretizar o tão sonhado concerto. E a graça começa ao tentar reunir os ex-colegas, espalhados em profissões esdrúxulas como chefe de tribo cigana motorista de ambulância e vigia de museu. E vai temperado com vodka, desencontros e presepadas.
Mesmo com ares de roteiro Hollywood ‘B’, o filme francês empolga, diverte e até faz pensar, mostrando como um roteiro bem feitinho pode fazer umas horinhas no cinema valerem a pena. E tudo isso embalado por uma trilha de Tchaikovsky, montagem competente e a beleza deslumbrante de Mélanie Laurent (a Shoshana de Bastardos Inglórios), é garantido que você não vai perder seu tempo. E ainda periga de sair chorando do cinema. Ou, no mínimo, arrepiado.
domingo, 13 de março de 2011
Coisa séria
Se eu caio no suíngue é pra me consolar. Pode parecer bagunça para você, mas para mim carnaval é uma das épocas mais sérias do ano. Não, não organizo bloco nem tampouco tenho responsabilidades como carnavalesco de escola alguma. Não fico de plantão (pelo menos não dessa vez) e não acompanho ponto a ponto a apuração.
A seriedade está na tomada de consciência do momento que ele representa no contexto do ano. É olhando de longe, vendo aqueles ínfinmos 5 dias em meio aos 365 que percebo o quanto são preciosos. O quanto não são comuns e o quanto podemos (e devemos, na minha modesta opinião, usufruir). Quando mais no ano é tão permitido permitir?
Não se trata de sair se jogando em quaisquer braços, embora isso seja demasiadamente aceito e encorajado. Nem mesmo de embriagar-se como se não houvesse amanhã - porque daí você vai lembrar do quê?. Quem sabe seja sobre festejar uma catarse, um transe coletivo de desejo de bem estar mútuo, ainda que efêmero. Talvez seja sobre ser feliz, sobre possibilidades, sobre entender liberdades, sobre escolher liberdades. Sobre ser livre, ainda que de mãos dadas com alguém ou com a cabeça em alguém, não importa.
O que importa é que não pode ser normal. Não pode ser mais um feriado. Em qualquer outro país até poderia, aqui não. Nosso País tem isso no DNA, tudo bem que não é todo mundo que sabe que tem, mas qualquer um pode querer encontrar. Quando a pessoa consegue perceber a graça da fantasia, do deboche, da brincadeira, ela se medica, se cuida, se trata, trata bem a si e ao anônimo ao lado. E se faz dona de si, das ruas, e do mundo.
*Muito, mas muito obrigado mesmo a todos que pisaram naquele Rio de Janeiro e, sem saber, fizeram com bom humor, malícia, respeito, molejo e paz, o melhor carnaval da minha vida.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Ensaio geral
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Segunda à segunda
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Nobre irmão
Moleque, eu lembro como se fosse ontem o dia em que eu fui às 6hs da manhã diante daquele portão meio sombrio na Vila Mariana. Já faz tempo, agora chegou tua vez. Pois é, coisa de todo homem, dever com a pátria, é dever cívico, é um blablablá dos infernos. Mas faz parte, encare como um ritual de passagem. Espero que sejas dispensado logo, que não tenha a má sorte que teve seu irmão de ir até a última chamada e ser dispensado já com colegas tirando medidas para o uniforme e a boina na salinha ao lado. Que sua experiência militar seja de alguma forma enriquecedora e que sirva para algo mais do que matar algumas horinhas de aula, e de sono, em madrugadas difíceis de acordar.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Piloto de espetos
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Cheiros
Eu nunca tinha acordado de manhã e recolhido merda. Jamais tinha sido despertado por latidos vindos da sala. Ou trocado fraldas cheias de xixi antes de eu mesmo fazer xixi. Nem sequer tinha alimentado alguma coisa logo cedo antes de mim mesmo. Nem brincado de pega-pega com um espanador às 2 da manhã. Nem parado o que eu estou fazendo porque naquele momento ele poderia estar fazendo o que deveria fora do lugar em que deveria. Não é legal, mas é diferente.Essa criatura aí de cima não apenas divide o mesmo teto que nós há três meses como mudou a nossa vida há três meses. Não porque seja fofo, simpático ou ingênuo, mas porque é tudo isso e um pouco mais. Um cachorro muda a vida de uma casa.
Muda a casa.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Passou
Oba, já é 2011.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Natal diferente
A segunda alternativa era mais dolorida, envolvia apenas sofrimento da minha parte e não colocaria nem o meu cachorro em risco: ficar mais dois dias trancado aqui em casa. Sem Natal, sem ceia, sem risco. Mas não foi essa dor toda, não. Teve telefonema para amigos em outros continentes, teve comida bem boa, teve meditação, teve reflexão por escrito e o mais divertido, participação no amigo secreto via skype. Acabei me sentindo lá, por ter estado lá todos esses anos. E como foi bom trazer todos meus familiares queridos ao alcance dos olhos. Ainda que a muitos quilômetros de distância.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Melhora aí
Dentro do pronto socorro da Santa Casa de Misericórida de São Paulo ninguém é culpado. Nem mesmo os médicos, que escolheram trabalhar com aquilo, queriam estar ali. Não é tensão o que corre, ou melhor, o que dribla macas, naqueles corredores. É sofrimento puro e destilado. Tensão talvez seja a palavra que melhor expressa a sensação que paira num jornal instantes antes de um fechamento. Mas se comparado com um frame deste lugar, é uma verdadeira volta na pracinha de Cambuí com algodão doce e vovôs assoviando.
Idosos e idosas sobram na figuração. Deitados ou cuidando dos moribundos em macas enferrujadas milimetricamente largadas nos estreitos corredores. Não viam a luz do dia. Ou da noite. Não pense que era um ambiente sujo, só que infelizmente a dor, apesar de cristalina e autêntica, não é limpa.
Num banco de aço, batendo papo com uma bonita doutora de jaleco e crachá, este paciente. Porque cargas d'água ele aguarda ali, sua vez, para ser atendido por algum qualificado clínico do PS. Verdade seja dita, 'sua vez' não, ele aguarda ali para furar a vez de alguém, já que a boniteza ao seu lado é sua prima, que é estudante, que namora um residente, que é faz tudo ali. Será que quem fura fila não tenho peso na consciência? Será que ele tenho direito de reclamar de corrupção, de gritar palavras de ordem e mostrar dedo pra polícia em manifestação na Paulista?
O silêncio temperado de murmúrios daquela fábrica (ou oficina mecânica) de dor foi cortado por gritos. Não eram de pacientes, mas de uma impaciente médica que vinha montada sobre um homem em cima de uma maca tentava reanimá-lo com massagem cardíaca. Quase como uma surfista de jaleco, ela fez com que todos se espremessem entre seu veículo e a parede para não serem atropelados a caminho da sala de trauma. E eu só tinha tosse, supeita de pneumonia á descartada com raio X, além da minha catapora quase sarando.
- Aquela ali na maca é a doutora que vai te ver, mas pelo jeito vai demorar um pouco.
No fim não veio aquela médica excêntrica (lamentam os dramáticos), mas foram só cinco minutos da atenção de uma nipônica de palavras certeiras sem serem escassas, de perguntas precisas, mas não insensatas, que ficava estranhamente interessante naquele jaleco branco. Adorei sair de uma consulta pela primeira vez nessa encarnação sem nenhuma receita além de repouso, limpeza com soro no nariz, boa alimentação e isolamento.
- Não, doutora, mas 15 dias de licença vão matar minha chefe do coração.
- Antes ela do que todo mundo em volta. O que você tem é sério, amigo.
E antes do clicar do carimbo médico, vejo a excêntrica a conversar ao meu lado. Contou que o paciente da 'prancha' hospitalar tinha ido tirar radiografia e que 'parou', mas o técnico não reparou que ele estava mais alvo que o lençol que o cobria. Quando chegou, percebeu que montar seria a única solução, e contou como desceu o elevador, e a adrenalina e o ineditismo daquela modalidade de reanimação. E no final, quando ela já quase ia embora se esquecendo de contar o desfecho, alguém pergunta.
- E o cara, tá vivo?
Com vivacidade e naturalidade de dar inveja a todos os que sofriam por ali, ela arrumou o cabelo, pegou sua prancheta e rumou ao próximo caso. Olhando para trás, disse sem peso.
- Não.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Filmandinho
Apostei em DVDs, uma meia dúzia, sei lá, tipo um por dia. À tarde, porque assistir Mulheres não dá mais, Mamma Bruschetta que me perdoe. No enfadonho clima, vamo resenhar?
Vi Valsa com Bashir. Animação para incomodar, e consegue. Não é o melhor filme de 2008 (como dizia o guia 'to do' de Londres, era o único filme 5 estrelas que tinha, me lembro). Mas tem muita coisa bonita e umas seis cenas eu adoraria ter em pøsteres na minha parede. Mas fala de Sabra e Chatilla, fato que nunca deve ser esquecido.
Também teve Quase Dois Irmãos, de Lucia Murat, que pode-se dizer que não é apenas mais um filme de cadeia brasileiro, mas que mostra com mais cuidado o nascimento do Comando Vermelho (até entaão Falange Vermelha) e os aprendizados com os presos políticos de Ilha Grande. É mil vezes melhor que 400 contra 1, tá? Caco Ciocler e Flávio Bauraqui tentam salvar com brilhantes atuações um roteiro com falhas e um pouco longo, de Paulo Lins, 'o cara' de Cidade de Deus.
Tivemos a maravilhosa, dolorosa e possível (apesar de fictícia) história de Lemon Tree. Baita roteiro, baita ideia, baita interpretação. Demorei demais pra ver. E só vi graças à Carol Marra, valeu coisa mais gente boa do mundo!
Hummm, só pra não parecer que eu não vi nada na TV a cabo, Sequestro do Metrô 123 é um belo dum filminho de ação e de Denzel, é o clássico filme Denzel Washington. Quem já viu Um Plano Perfeito e Dia de Treinamento sabe do que eu to falando.
E com essa gripe e essa dor de ouvido que aproveitaram a imunidade baixa da catapora, pelo jeito a maratona vai continuar. Já temos Cidadão Boilesen e O Prisioneiro da Grade de Ferro esperando.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Motivo de criança
'Mas eu já tive catapora, não pode ser', pensei ao ver meu rosto na manhã de ontem. Domingo deu febrão, dipirona e relax resolveram. Segundona cheguei cedo na firma, depois do almoço voltei a me sentir mal. Voltei pra casa no meio da tarde já nocauteado. Nondé que eu ia imaginar que minha terça-feira começaria com um susto diante do espelho?
Eu tava me coçando todo, muito desconfortável. E se eu fosse dar expediente com aquele monte de mancha na cara no mínimo ganharia um apelido do tipo 'Geração Geek' ou 'Super Nerd' do sagaz colega do Jornal do Carro, vulgo Borracharia. A médica não olhou com atenção e sempre que piso numa UBS relembro que país é esse. Pelo menos na receita ela caprichou na caligrafia. Sem ironia, juro.
Quando você fica doente vira especialista naquilo que tá te fazendo mal. Pesquisa tudo na internet, entende como funciona, quando se cura já tá pronto pro mestrado. Tem gente, como o marido de uma ex-colega minha, a Sumara, que fez um blog contando da luta dele contra o câncer. Não, não vou encher vocês com minha paciência contra a coceira da catapora, haja saco, né?
Mas foi estranho porque eu já tive de lidar com essa moléstia traquinas quando tinha entre 8 e 9 anos, me lembrando bem dos banhos de permanganato de potássio, um comprimidinho púrpora. MAs dizem que ela nnao vem duas vezes numa mesma encarnação. E daí ela resolve bater à porta 26 anos depois, numa semana crucial (às vésperas das festinhas de fim de ano - amo) em que eu concluía diversos projetos importantes no trabalho e da rua pra fora, estava especialmente de bem com a vida.
Mal humorado, com muita dor de garganta, cabeça e ouvidos, liguei para minha amiga xamã. Ela riu, já que vinha me tratando há tempos, sabia que havia algo de ruim por vir. Mas me disse: 'peraí, isso tem um lado bom. Você vai colocar um monte de coisa ruim pra fora, vai fazer uma limpezona'. Gostaria de não precisar colocar nada para fora cutaneamente. Eu, pessoalmente, ainda prefiro a escrita.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Devagarando
domingo, 7 de novembro de 2010
Amanhã, roupa de peixe no Ceasa
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Surreal dia de Finados
Viaduto Santa Ifigênia, rapaz, como é lindo aquilo ali, pensa. O sol bate no meio do vão central. Atravessam escutando soar os sinos do Mosteiro de São Bento pelos vidros do prédios do vale. Sinfonia de sinos. Entram, os olhos dele brilham ao descobrir que não conhecia a mais bela igreja de sua cidade, isso porque mal olhou em volta. Parou e escutou com afinco o canto gregoriano. Ver o que é belo melhorar é sempre entusiasmante.
Saíram da casa de Deus. Olharam para o viaduto, três rapazes ensaiavam passos de funk. Alguém grita, atrás deles onde havia nada agora vem uma multidão. Nossa, é a Zombie Walk, diz o amigo. E começa um festival de figuras mórbidas e divertidas fazendo o ressacado sorrir besta por ver pessoas se juntarem, ocuparem o espaço público e se divertir. Isso não é normal.
O Vale do Anhangabaú tomado por criaturas horripilantemente bem humoradas, rockn' roll rolando, tudo na paz, pouco álcool e pouco stress. Se divertir, numa boa, com manchas de groselha pelo corpo, dando risada, repensando a relação com a morte. Pode ser light, deve ser light, reflete. Param diante de um sound system, estilo jamaicano de se divertir nas ruas, com caixas de som e muito dub, no vinil, coisa fina. Ele não entende da coisa, mas gosta. O céu azul, venta friozinho.
Ele quer porque quer ver Tropa de Elite 2 de novo. Não ficou satisfeito com uma única dose de indignação. Compram ingresso para o filme, cine Marabá, onde não entrava há mais de 10 anos, tranquilamente. Já está na cena em que Nascimento estea nascendo como sub-secretário de segurança pública. Ele já sabe o roteiro, mas os olhos lêem como um horizonte novo.
Atordoada, a amiga sai chorando, desesperada com o retrato assustador do País. Ipiranga com São João, o leitor cantarola a melodia. Uma van bate num motoqueiro. Pelo menos não viu sangue de verdade, bastou o dos zumbis de mais cedo. Deixou a amiga em casa, pensou que a semana começa quarta, apesar de ter trabalhado nos últimos dias. Coisa boa.
Atravessou pela segunda vez o viaduto, pensou pela segunda vez como era lindo, relembro que a mãe há pouco tempo lhe contou que foi obra do arquiteto Gustave Eiffel. Entrando no metrô, avista sujeito sem rumo, aparentemente rejeitado. Ele se aproxima, diz que precisa ir para Artur Alvim. Recebe uma passagem, no caminho vai contando que acabou de sair de Presidente Bernardes, onde ficou por seis anos e que via a rua pela primeira vez.
Estava mais zonzo que um zumbi, mas contou que foi por tráfico de drogas e que a cicatriz em seu rosto foi de facada na cadeia, retalhada com morte. Olha, não é normal escutar de alguém que matou alguém, especialmente mais de um, assim como Capitão Nascimento. E a coleção de cadáveres zanzando pelo centro fazia agora um estranho sentido no fim do dia.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Ben demais
E eu estou feliz porque eu tambem sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham maos, nao me peguem,nao me toquem
Para que meus inimigos tenham pes,nao me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos,e nao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
E quando você já tá cansado, mas o cara não quer parar de tocar? Sem a menor intenção de deixar ninguém ali parado. Tenho a impressão de que a mãe dele o batizou Jorge e pensou: 'esse desgramado vai colocar o mundo pra dançar'. E alguém colocou o suíngue todo do mundo na ponta dos dedos e naqueles violão que ninguém sabe tocar igual. E não dá pra explicar o que é ficar duas horas com esse cara a poucos metros de você. E estar ao lado de uma porrada de gente que você gosta. Com certeza um dos maiores privilégios que já tive. Sei lá, post besta, mas de Ben com a vida.
PS: Salve Jorge.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Todo mundo e ninguém

terça-feira, 12 de outubro de 2010
What better time than now?

It has to start sometime
What better place than here
What better time than now
